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segunda-feira, 28 de março de 2016

Opinião -> Só o Tempo Dirá



Título Original: Only Time Will Tell
Autor: Jeffrey Archer
Editora: Bertrand Editora
Sinopse: Primeiro volume da série épica que narra a vida de Harry Clifton desde os anos 20. Harry nunca conheceu o pai, que morreu na guerra, e é criado pelo tio nas docas. Uma inesperada bolsa de estudo faz com que a sua vida mude radicalmente. Já adulto, descobre a verdade sobre a morte do pai, mas também surge a dúvida de quem era efetivamente o seu pai. Harry terá de escolher entre ir para Oxford ou alistar-se na marinha para lutar contra Hitler. Das docas da Inglaterra às animadas ruas de Nova Iorque dos anos 40, o início de uma saga que se estende por cem anos.
 
A minha opinião

Este foi o meu primeiro contacto com Jeffrey Archer e surgiu assim por acaso, num momento de ressaca literária, em que não sabia o que me apetecia ler. Acabei de ler este livro na semana passada e deixo-vos aqui parte do que achei.

Se comecei esta leitura relutante, com receio de ser mais uma leitura razoável e assim me decepcionar, confesso que essa apreensão rapidamente se dissipou. O autor tem uma escrita simples, bastante simples até, e conta uma história que pouco tem de complexo, sendo esta preenchida por um número mais do que razoável de coincidências que lhe dão rumo. No entanto, se pensam que este facto é suficiente para nos fazer largar o livro ou lê-lo mais devagar, enganam-se, e é aqui que reside a genialidade do autor. 
De uma história que à primeira vista nada traz de novo, Jeffrey Archer consegue aliar à modéstia da sua escrita um clima de mistério e suspense, que nos faz querer saber sempre mais, o que leva a uma leitura desenfreada para conseguirmos desvendar todos os "mas" e "como" com que nos vamos deparando. 
Um dos pontos fortes são as personagens, fortemente construídas. Posso-vos, por exemplo, falar de Maisie, uma mulher que perde o marido e fica a cuidar de um filho de dois anos, no início do século XX, e tudo faz para lhe dar um futuro que ninguém na família ainda tinha alcançado. 
Só o Tempo Dirá acaba de tal forma, que nos obriga a pegar no segundo volume de imediato, porque não podemos, de modo algum, ficar assim pendurados, na eminência do que vai acontecer.
A opinião completa podem ler no blogue Crónicas de Uma Leitora, clicando aqui.

Este foi um livro 3,5 estrelas.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Opinião -> As Dez Figuras Negras


Título Original: Ten Little Niggers
Autor: Agatha Christie
Editora: RBA Coleccionables
Sinopse: Dez pessoas são convidadas a passar uns dias numa ilha privada: mas o seu misterioso anfitrião não aparece e começam a ser assassinadas uma a uma, seguindo as ingénuas instruções de uma canção de embalar.
Dez desconhecidos, que aparentemente nada têm em comum, são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo terrível, e nessa mesma noite um deles é assassinado.
A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino está entre eles como se prepara para ir atacando uma e outra vez…
O que se segue é uma obra-prima de terror. À medida que cada um dos hóspedes é brutalmente assassinado, as suas mortes vão sendo “celebradas” através do desaparecimento de uma de dez estátuas, as “dez figuras negras”.
Restará alguém para um dia contar o que de facto se passou naquela ilha?
Em As Dez Figuras Negras, a Ilha do Negro, local sombrio e desde sempre povoado de mistérios, é palco de uma estranha e implacável forma de justiça, na qual as vítimas se encontram encurraladas pelas circunstâncias e o agressor é invisível e omnipresente.
A minha opinião

O meu ano de 2016 começou repleto de excelentes leituras. Já li quatro livros e a três deles atribuí 5 estrelas (em contraponto com um ao qual atribuí uma única estrela, mas depois conto-vos tudo).

Terminei de ler A Game Of Thrones, que já andava a ler há alguns meses e peguei de imediato no As Dez Figuras Negras. Já desconfiava que seria bom, devido às boas críticas que tem, mas acreditem quando digo que é mesmo EXCELENTE! Não vou aqui fazer um resumo do livro porque a sinopse está perfeita e ressalta bem a sua essência, e não há muito mais que possa dizer sem spoilar.

Este foi o segundo livro que li da autora, comecei no verão passado com Um Crime no Expresso do Orientei, o qual já me tinha deixado rendida, principalmente devido ao final, que estava mesmo longe de adivinhar. E eu adoro finais originais e que constituem uma surpresa para mim.

As Dez Figuras Negras não foi exceção. Comecei logo de início a dizer que o assassino seria x, mas o livro é repleto de plot twists, a autora troca-nos as voltas como ninguém, e a meio do livro já não sabemos de nada. Todas as certezas que tínhamos evaporam-se, menos uma: a de que o livro é fantástico e de que não o podemos largar até descobrirmos QUEM RAIO É O ASSASSINO!!! Chegamos a um ponto em que nós, a para das personagens que ainda vivem, desconfiamos de tudo e de todos.

A tentação de ir espreitar o final percorreu-me durante quase todas as páginas, mas aconselho vivamente a que resistam à tentação, porque acreditem que a leitura não será a mesma!

Se eu já tinha ficado com a sensação de que Agatha Christie era genial, agora percebo o porquê de ela ser considerada a Rainha do Crime! Jeez, ela é perfeita. A escrita é de uma grande simplicidade e as histórias curtas, o que leva a que se leiam bastante rápido, mas depois ela presenteia-nos com um final que nos leva a ver que todos os pequenos detalhes que estavam para trás e que até nem ligámos muito, afinal eram relevantes. E que final!

E não é só o final, atenção. Temos também as personagens, todas genialmente construídas, com personalidades pensadas ao mais ínfimo pormenor, todos com feitios diferentes, e que são mais que personagens, são pessoas, com as quais nos vamos identificando mais ou menos (gostei imenso do Lombard e do Blore).
E os pequenos grandes detalhes que fazem toda a diferença? Bolas, quando descobri o significado do nome U. N. Owen fiquei wow. A sério, PERFEITO!

Para não falar de que todas as mortes são pautadas por uma lengalenga infantil, que se encontra pendurada em todas as divisões da mansão. Para terem noção até que ponto vai a sua genialidade, deixo-vos a lengalenga de acordo com a qual os crimes vão ocorrendo:

"Dez meninos negros foram jantar;
Um engasgou-se e sobraram nove.
Nove meninos negros deitaram-se tarde;
Um dormiu de mais e sobraram oito.
Oito meninos negros foram viajar pelo Devon;
Um disse que por lá ficava e sobraram sete.
Sete meninos negros foram cortar lenha:
Um cortou-se em dois e sobraram seis.
Seis meninos negros brincaram com uma colmeia;
Um abelhão ferrou um e sobraram cinco.
Cinco meninos negros seguiram a advocacia;
Um foi para o Supremo Tribunal e sobraram quatro.
Quatro meninos negros foram para o mar;
Um caiu no anzol e sobraram três.
Três meninos negros andavam pelo jardim zoológico;
Um levou um chi-coração de um urso enorme e sobraram dois.
Dois meninos negros sentaram-se ao sol;
Um deles ficou assado e sobrou um.
Um menino negro ficou completamente só;
Foi e enforcou-se e não sobrou nenhum."

Claro que depois disto tive de ir pesquisar TUDO sobre o livro, tal como faço sempre que um livro me fascina, e descobri que, para além de todas as adaptações de que já foi alvo, há uma mini-série recente, de final de 2015. Escusado será dizer que a vi de seguida. Mas isto fica para um outro post.

A edição do livro que tenho já não existe à venda, mas podem encontrar a edição da ASA aqui.

*****

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Opinião -> Perguntem a Sarah Gross | Dia Internacional da Lembrança do Holocausto

Como sabem, hoje é o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. Como tal, que dia melhor do que este para finalmente publicar a minha opinião daquele livro que ADOREI e que considerei ser um dos melhores livros que li em 2015? A qual andei a arrastar, em parte porque ainda o estava a digerir, e posteriormente devido ao cansaço extremo que não me deixava escrever nada conciso.

Esta opinião está também disponível no blog Crónicas de Uma Leitora, basta clicarem aqui. Passem por lá, deixem o vosso feedback e sigam o blogue. 

Então, aqui vai.

 
Título Original: Perguntem a Sarah Gross
Autor: João Pinto Coelho
Editora: Dom Quixote
Sinopse: Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.
Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.
Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.

A minha opinião:
Quando decidi ler este livro em Setembro fui, como na maior parte das vezes, às escuras, movida apenas pelo burburinho que tanto andava a causar pelo universo da internet, nomeadamente em blogs, facebook e goodreads. Como em tudo na vida, não gosto de me ficar apenas pela opinião dos outros e, como tal, tive de ler para ter a minha própria opinião fundamentada.

De início estava um pouco reticente porque a narrativa se estava a desenrolar de um modo um pouco arrastado e eu sem perceber o porquê de tanto falatório. Expectativas my dears, a culpa era toda das expectativas e, quando o percebi, refreei-as e comecei a apreciar mais a leitura.

Tenho que começar por destacar a escrita de João Pinto Coelho, que só muito a custo acreditei tratar-se de um estreante, tal é a sua complexidade e riqueza. Os detalhes retratados ao pormenor, as analepses recorrentes e que resultaram tão bem (embora não sejam novidade neste género literário), onde tão depressa estamos em 1968 em Nova Inglaterra, como de seguida estamos a viver o período pré e durante Segunda Guerra Mundial. Está tudo tão bem descrito e pormenorizado que nos sentimos lá. Percebe-se a profundidade da investigação que esteve por detrás do livro, de tal modo que damos por nós a acreditar que também nós lá estivemos e que sim, sem sombra de dúvida tudo se passou tal como nos é contado.

E quanto ao enredo, ai o enredo... Como já referi, começa de forma lenta mas, sabem que mais, não poderia ser de outra forma. Leva-nos gradualmente ao cerne da questão, a querer saber sempre mais acerca da extremamente enigmática, mas profundamente carismática, Sarah Gross. Rimos, suspiramos e choramos com o que "ela" tem para nos contar. Envolvemos-nos de tal maneira que damos por nós numa bola de neve, onde cada pormenor que nos é revelado nos leva a querer mais e mais e cada vez nos prende mais e assim nos deixa rendidos.

Já o desenrolar da ação, este por várias vezes dá-nos um murro no estômago pois não vai na direção que suspeitamos. Principalmente aquele final (não, não vou spoilar, don't worry). Bolas! Que final! Em momento algum sugeriu ir naquele sentido, apanhando-nos completamente desprevenidos. Como, quando, onde é que aquilo se deu? Foram as questões que preencheram o meu cérebro durante dias e que até hoje ainda não consigo responder. Mas posso dizer que foi perfeito e que foi de génio, afinal levou-nos o tempo inteiro numa direção, para terminar abruptamente noutra (damn!).

Quem diria que aqui iria encontrar de tudo, história, ação, suspense, romance...É um livro sem dúvida completo, que se enquadra em variados gostos literários.

Bem, acho que não me vou estender mais...

Por fim, resta-me reforçar o que em inúmeros comentários e opiniões já foi dito. Este livro tem MESMO que ser traduzido no maior número de línguas possível! 

Não vou dizer se devia ou não ter vencido o prémio Leya pois, por um lado não faço parte do júri, e por outro,  não li o livro vencedor (que confesso que não o tenho sequer na wishlist) portanto seria presunção da minha parte fazer tal afirmação. Apenas posso dizer que, à sua maneira, este acabou por ser o grande vencedor e fico feliz por isso. 

Por tudo isto e por mais que não consigo exprimir, merece as 5* !


*****

Ah! Aproveito para vos recomendar a leitura deste artigo sobre o autor e o livro, enjoy!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Opinião -> Uma Praça em Antuérpia

Título Original: Uma praça em Antuérpia
Autor: Luize Valente
Editora: Saída de Emergência
Sinopse: Há uma saga que ainda não foi contada sobre a Segunda Guerra Mundial: a história de duas irmãs portuguesas, Olívia e Clarice. Olívia casa-se com um português e vai para o Brasil. Clarice casa-se com um alemão judeu e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Ambas vivem felizes, com maridos e filhos, até que a guerra começa e a Bélgica é invadida.
Para escapar da sombra nazi que vai devorando a Europa, a família de Clarice conta com a ajuda de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que salvou milhares de vidas emitindo vistos para Portugal, em 1940, enquanto atuou em Bordéus, França. A família recebe o visto mas, ao chegar à fronteira de Portugal, um destino trágico a espera... Destino que vai mudar e marcar a vida das irmãs para sempre, por causa de um segredo que só será revelado sessenta anos depois.

A minha opinião

Quando peguei neste livro confesso que o fiz apenas baseada na capa, que acho LINDA, e no título por soar a romance, que era mesmo o que eu estava a precisar - uma leitura ligeira. 

Eis que quando o abro, se inicia com uma citação de Aristides Sousa Mendes e o meu primeiro pensamento foi - Oh não, acabei de ler um livro brilhante cujo tema de fundo é a Segunda Guerra Mundial e agora vou  ler outro de seguida! Tem tudo para correr mal pois, inevitavelmente, vou estar sempre a fazer comparações e a fasquia está muito, muito elevada!

Deste modo iniciei a leitura com as expectativas baixas, com a certeza de que ia ler mais do mesmo, cliché atrás de cliché.
E não podia estar mais enganada!
Luize Valente sabe prender-nos como ninguém. Lança-nos uma "bomba" logo ao início do livro que, se não fosse a sua capacidade brilhante de captar o leitor, teria tudo para correr mal pois ficamos, desde logo, a saber qual será o desfecho da história.

O livro começa no dia 1 de Janeiro de 2000, no Rio de Janeiro, com Olívia, uma idosa de 80 anos que, ainda a sofrer com a perda recente do seu filho, decide contar à neta (também ela a sofrer com mais um aborto espontâneo) o seu maior segredo que guarda só para ela há 60 anos.
Spoilers, pensamos nós, MAS, apesar de a autora nos dar a saber logo à partida quem morre e quem sobrevive, o que é certo é que o enredo não poderia ser mais viciante e cativante.

Olívia leva-nos numa viagem ao passado, começando a contar a sua história de vida precisamente desde o início, isto é, desde a gravidez da sua mãe, em Guimarães no início do século XX, a qual faleceu após o seu nascimento e da sua irmã gémea, levando ao consequente afastamento do seu pai que, por tanto amar a mulher, as culpabiliza pela sua morte. Deste modo, acabam por ser criadas pela avó.

E assim se desenrola toda uma história de vida relativamente pacata, que se torna mais atribulada a partir do momento em que a sua avó morre levando-a a mudar-se para junto da irmã em Lisboa, onde se apaixona por Theodor à primeira vista, um judeu comunista fugido da Alemanha, e engravida dele. A força do destino (ou do regime político existente na altura) levou a que, sem marido e grávida, se refugiasse na Guarda. Até ao dia em que Theodor regressa para fugirem juntos para Antuérpia visto que, por ser comunista, tem de fugir de Portugal.

E é aqui que a maior parte da ação se desenrola. Após um curto período de grande felicidade, de repente têm de largar tudo o que construíram e fugir, sem nada, devido ao domínio crescente Nazista. O objetivo é conseguirem chegar a Portugal de onde podem partir para o Brasil onde o marido da sua irmã os espera, mas para tal têm de conseguir chegar a França primeiro para tratar da papelada necessária e ainda atravessar Espanha. E isto tudo grávida de 8 meses, com Bernardo de 3 anos nos braços e sempre debaixo de bombardeamentos, com ataques atrás de ataques que destroem tudo à sua passagem.

É esta azáfama que vivemos com os personagens como se nós mesmos lá estivéssemos, sempre com o coração nas mãos sabendo que a qualquer altura algo vai correr mal mas sem saber em que momento. A autora consegue-nos deixar sempre com a esperança de que vai haver um final feliz. Afinal, depois de tanta tormenta a bonança é mais do que merecida.  

E eu queria saber sempre mais, acompanhar Olívia (ou será Clarice?) nas suas aventuras e desventuras, lutar com ela, rir com ela e chorar com ela. E sofri com ela. Aquela angústia no peito devido a tantas injustiças e eu mera espectadora, sem poder fazer nada, é indescritível.

É portanto um livro impossível de largar pois nós estamos lá, estamos a viver aquele momento, todas as dores, todos os medos, todos os esforços inimagináveis, nós estamos a vivê-los. E foi assim que Luize Valente me deixou acordada noite fora, com apenas 3 horas dormidas, mas por um final que valeu por tudo!

Não conhecia a autora mas fiquei sua fã. Um livro escrito como ninguém, que nos prende do início ao fim e com um final... Que final! Aconselho vivamente!

5 estrelas gigantes para este livro!  

*****

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Opinião -> Peripécias do Coração

Título Original: The Viscount Who Loved Me
Autor: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
Sinopse: A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado... Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginaram. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre.
A minha opinião:
Depois de ter lido o primeiro livro desta série no mês passado, mal podia esperar para pegar no segundo. No início de Setembro, após ler o genial Admirável Mundo Novo,  queria uma leitura mais leve e lancei-me logo ao Peripécias do Coração.

O protagonista deste livro é Anthony, o irmão Bridgerton mais velho, que tão bem conhecemos no livro anterior (Crónica de Paixões e Caprichos), tendo-nos sido apresentado como sendo um solteirão libertino e um irmão mega protector e pilar da família (visto o pai ter falecido).

Aqui ele considera ter chegado a altura de se casar, afinal a sua morte aproxima-se (convicção que tem desde que perdeu o pai). Procura então a noiva ideal - bonita, atraente, inteligente q.b., mas que não o faça cair na tentação de se apaixonar. Eis que surge Edwina, a sensação da nova temporada londrina, e se depara como sendo a noiva perfeita. Porém Anthony não tem a vida muito facilitada uma vez que tem de obter não só a aceitação de Edwina, como também a aprovação da sua irmã mais velha Kate, a qual, para além de não ter papas na língua, não aprova de todo o libertino Anthony.
E é aqui que surgem umas quantas peripécias e reviravoltas. Nada de inesperado e surpreendente, é um facto, mas a escrita de Julia Quinn é simplesmente maravilhosa e prende-nos do princípio ao fim, fazendo-nos querer mais e mais. 
Mais uma vez saliento o seu recurso ao humor, que neste livro se encontra ainda mais acentuado. Adorei! Dei por mim a dar várias gargalhadas, o que não é muito frequente acontecer. O meu Homme Trivial já olhava para mim de lado e dizia "já nem vou perguntar mais nada".

Deixo-vos como exemplo esta passagem que conta a reacção dos irmãos de Anthony quando este lhes anuncia a sua intenção de se casar:
" Benedict Bridgerton, que se entregava a um hábito que a mãe detestava - equilibrar o cadeirão nas duas pernas de trás - caiu.
  Colin Bridgerton engasgou-se.
  Felizmente para Colin, Benedict recompôs-se a tempo de lhe dar uma sonora palmada nas costas e fazer com que uma azeitona verde voasse até ao outro lado da mesa.
  Quase acertava na orelha de Anthony."
Também não posso deixar de realçar, uma vez mais, o início de cada capítulo que é feito com um excerto do jornal da misteriosa Lady Whistledown. Estou ansiosa por saber quem ela é! 
O epílogo - 9 anos depois - começa com uma crónica de Lady Whistledown, levando a um discurso entre Kate e Anthony sobre quem ela será, velha enrugada ou nova? O que me deixou confusa, visto que sei que no 4º livro da série já se sabe quem ela é. No entanto não fui pesquisar após quantos anos esse livro se passa logo fica aqui esta nota apenas para quando lá chegar vir rever.

Deixo apenas uma nota negativa para o facto de a versão que li em ebook ter pequenas gralhas tais como 
"Miss Sheffield tapou a mão com a boca" (?!?). 
Ou estarem a referir-se a Eloise mas escreverem Edwina, algo que aconteceu pelo menos duas vezes e me deixou baralhada, fazendo-me reler a página anterior para perceber quem estava realmente a falar - ok, não sei se é erro de tradução ou se também aconteceu na versão original, não fui pesquisar.

Quanto ao novo acordo... Para mim não tem lógica tirarem o acento ao "pára". Numa frase deste género "Bem, para de olhar para ele" irrita-me profundamente. Irra.
Voltando ao enredo, Kate e Anthony formam um dos meus casais literários preferidos! E fiquei muito fã de Anthony após uma atitude tão cavalheiresca que teve num baile dado pela sua mãe - Bem feita Cressida. 
Curiosos? Têm de ler!

Deste modo, este livro leva 5 grandes estrelas. 
*****

domingo, 23 de agosto de 2015

Opinião -> Danças na Floresta

Título Original: Wildwood Dancing
Autor: Juliet Marillier
Editora:Bertrand Editora
Sinopse: Este livro da autora é inspirado no conto de fadas As Doze Princesas Bailarinas. É a história de cinco irmãs intrépidas, em luta com quatro criaturas sinistras, três misteriosos presentes mágicos, dois amantes proibidos e um sapo enfeitiçado. Há muitos mistérios na floresta. Jena e as suas irmãs partilham o maior de todos, um segredo fantástico que lhes permite escapar à vida diária nos campos da Transilvânia, e que mantiveram escondido durante nove anos. Quando o seu pai adoece e tem de abandonar o seu lar na floresta durante o Inverno, Jena e a sua irmã mais velha, Tati, ficam encarregues de cuidar da casa e das outras irmãs. O surgimento de uma misteriosa jovem de casaco preto faz nascer o amor numa das irmãs e, subitamente, Jena apercebe-se que tem de lutar para salvar aqueles que lhe são mais queridos. Acompanhada por Gogu, Jena tem de enfrentar grandes perigos para preservar não só as pessoas que ama, como também a sua própria independência e a da família.

A minha opinião

Tenho pouco a dizer sobre este livro...

Comprei-o na feira do livro de Lisboa deste ano, não pelo preço simpático em que o encontrei, mas sim por ser de uma escritora que prezo muito. Juliet Marillier faz parte de uma das minhas autoras favoritas, estando no meu TOP 5.

Talvez por já ter lido outros livros da autora, que considero muito bons, lancei-me a este com as expectativas altíssimas e sem ter reparado que é YA. Daí a minha desilusão quando o começo a ler e vejo que é muito mais simples e supérfluo do que aquilo a que a autora me (nos) habituou. O enredo é de tal modo previsível que ao fim do segundo capítulo já tinha deduzido o que iria acontecer para o final, o que me fez perder grande parte do interesse.

Apesar de ter sentido falta da complexidade e profundidade características da autora, no que requer à criação de um mundo mágico está uma vez mais de parabéns pois consegue fazê-lo como (quase) ninguém. 

Não posso ficar sem destacar Gogu, o sapo mágico mais fofo que já tive o prazer de encontrar numa história, fiquei rendia.

Assim, a minha classificação final é de 3.45 estrelas. É um pouco mais de 3 mas não tanto que chegue às 4.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Opinião -> Crónica de Paixões e Caprichos

Título Original: The Duke and I
Autor: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
Sinopse: As mães casamenteiras da alta sociedade londrina, estão ao rubro. Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) Duque de Hastings, está de volta Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…

Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos.

Juntos, os jovens decidem fugir de um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos iniciais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal.

A minha opinião

Gosto muito de romances históricos e quando quero uma leitura mais leve e aconchegante lá vou à procura de um. Desta vez a autora escolhida foi a tão badalada Julia Quinn. Só vejo a falarem bem desta autora e tinha mesmo de experimentar. 

Este é o primeiro livro da série Bridgerton, uma família fantástica e bastante numerosa e da qual fiquei fã. O enredo em si pouco traz de novo a este género literário, mas um ponto bastante favorável é o sentido de humor que é uma presença constante mesmo nos momentos mais inesperados.

Cada capítulo começa de forma perfeita com um excerto de um jornal "cor-de-rosa" recente, que contém mexericos acerca da alta sociedade londrina e que é escrito pela misteriosa Lady Whistledown, que ninguém conhece mas que parece estar presente em todos os importantes eventos. E fiquei cheia de curiosidade de descobrir quem é! 

Os protagonistas deste livro são Daphne - a 4ª dos irmãos Bridgerton, sendo que é a rapariga mais velha, mas que tem 3 irmãos mais velhos que são ultra-protectores e engraçadíssimos e ainda uma mãe galinha super amorosa que tudo faz para lhe arranjar um bom noivo, deixando-a, contudo, escolher. E Simon - um duque com uma infância infeliz, melhor amigo de Anthony (irmão mais velho de Daphne), que não quer casar e que tem um segredo que o atormenta. 

As personagens de que mais gostei foram Violet - a mãe Bridgerton; Colin - o 3º irmão Bridgerton e melhor amigo de Daphne; e também Hyacinth, a irmã mais nova mas despachada e desenrascada que tanto me fez rir.

Até meio do livro estava a adorar Daphne, que é uma rapariga atípica na época, com uma personalidade forte, segura de si e sem papas na língua. No entanto de um momento para o outro mudou e fui gostando cada vez menos dela (e é aqui que vou começar a ser crucificada visto que de todas as opiniões que li, toda a gente gosta dela). 

Ela demonstrou ser uma personagem manipuladora, que tudo faz para alcançar o que quer, mesmo que para isso tenha que mentir, jogar baixo e fazer-se de coitadinha (e pronto atirem lá as pedras).

 Passo a explicar (atenção que contém spoilers):

1. O duque, Simon, preferia ser morto a ter que casar, devido a motivos pessoais que se prendem com o seu passado, independentemente de ter ou não razão. O que faz Daphne? Tenta perceber o que se passa? Não! Mente, a dizer que os viram aos beijos num canto escuro do jardim, e chantageia-o dizendo que ele tem que casar com ela para ela não perder a sua honra e dignidade. Já aqui torci o nariz, mas dei o benefício da dúvida. 

2. Simon acede ao casamento mas diz-lhe para ela pensar bem porque ele não pode ter filhos. Daphne aceita a condição até descobrir que esse "não pode" nada tem a ver com infertilidade, como ela supunha, mas sim devido a convicções ideológicas e morais do duque. E o que faz? Dá-lhe tempo, para ver se muda de ideias? Tenta perceber que convicções são essas? Nãaaaoooo... Decide abusar dele quando ele está a cair de bêbado, coloca-se deliberadamente em cima dele de modo a que não deite a sua "semente" fora (como até ali fazia) e poder engravidar, sem respeitar a opinião dele. E aqui acabou de vez a minha empatia por esta personagem. É algo que acho muito baixo.

3. Sim, ainda há mais, Simon sai de casa porque (obviamente) ficou chateado com a situação e Daphne muda-se para Londres, para estar mais perto da família. Quando os irmãos a visitam e procuram pelo duque e alegam que se o descobrem o matam por a ter abandonado, o que faz ela? Diz que a culpa foi dela e que ele tem razão em estar chateado, mesmo sem entrar em detalhes técnicos? Claro que não! Fica caladinha que nem um rato e deixa que todos pensem mal de Simon e que tenham pena dela.  

4. Posto tudo isto, Simon ainda volta, pede-lhe desculpa - sim ELE pede desculpa, não ela - e ela aceita com a condição de - põe lá o passado para trás das costas e vamos ter um filho. Ele lá acede, mas dias depois fica deprimido pois os seus fantasmas ainda o assombram. E ela, que já tinha tido o que queria, diz-lhe "não faz mal, eu também não quero o filho agora, só daqui a uns tempos" o que tem muita lógica depois de já terem estado no pinanço n vezes e de já ter tido tempo de engravidar.

Algo de que também não gostei foi do final em que o duque que nunca se tinha declarado, depois de o fazer pela primeira vez, diz "Eu amo-te" em quase todas as frases que profere - Boring

Apesar destes aspectos que me desagradaram, a história em si está muito boa, proporcionou-me sem dúvida uma boa leitura e foi um livro que li num ápice! 

Quero ler mais, quero saber o destino dos restantes irmãos e acredito que vou gostar ainda mais do que gostei deste.  E espero descobrir quem é afinal a autora das crónicas que deixam a sociedade em alvoroço. 

Gostava ainda de saber o que é que as cartas que o pai de Simon lhe deixou contêm, mas acho que isso já não vai acontecer e vai mesmo ficar à minha imaginação. 

Posto tudo isto dei 4 merecidas estrelas a este livro e vou com as expectativas altas para os próximos.  Que venham eles!


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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Opinião -> Eleanor & Park

Título Original: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Edições Chá das Cinco - Saída de Emergência
Sinopse: Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.
Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.
A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.

A minha opinião

Ouvi falar muito deste livro por altura do dia dos namorados porque quem o comprasse nessa altura adquiria uma capa personalizada com dois nomes à sua escolha, o que foi uma excelente iniciativa para os livrólicos. Confesso que na data não me cativou muito e não voltei a pensar mais nele, principalmente por não ser o meu género literário de eleição... Até ao início deste mês, onde no blogue Readings Sunshine foi promovida uma leitura conjunta com este mesmo livro, na qual alinhei. E ainda bem que o fiz porque caso contrário era muito provável não o ler e estaria a perder um livro lindo, fofo e nostálgico, que me levou de volta à minha infância. 

Uma das coisas de que gostei imediatamente quando iniciei a sua leitura, foi o facto de os acontecimentos serem sempre apresentados na perspectiva de ambos, o que é fantástico, pois ficamos a "conhecê-los" bem e a perceber a sua maneira de pensar, o que em certas situações faz falta para não sermos induzidos em erro. 

Também me cativou bastante a época em que se desenrola a acção (80's), algo que me transportou de volta à minha infância. Afinal, quem é que dessa geração não se deparou com os walkmans e com o facto de ter de poupar as pilhas ao máximo? E com as cassetes que eram gravadas e regravadas? E onde nos primeiros namoros o simples dar a mão já era algo de transcendente? E a dificuldade de fazer telefonemas sem ter ninguém por perto? Entre outros pormenores que evocam a nostalgia. 

Eleanor é uma jovem de 16 anos, nova na cidade, que tem uma vida familiar instável, quer a nível financeiro como emocional. Vive com a mãe, os irmãos e o padrasto que instala um sentimento profundo de medo em casa. Como tem problemas económicos, veste-se com roupas "recicladas", geralmente de homem, o que lhe confere uma aparência estranha e que só serve para exaltar as suas diferenças com os demais jovens da sua idade, tais como o facto de ser roliça e de ter o cabelo ruivo e rebelde. Tudo isto contribui para chamar a atenção de forma negativa, tornando-a vítima de bullying.

Park é o oposto de Eleanor. Embora seja semi coreano, e não seja propriamente popular, é respeitado e tenta sempre passar despercebido e tornar-se invisível. Tem uma boa família, estruturada, com um bom ambiente emocional e financeiro. 

Esta oposição entre ambos é claramente demonstrada no seguinte excerto, proferido por Eleanor a Park:
"- Pára de perguntar isso - disse ela, zangada. Tu perguntas sempre isso. Porquê. Como se houvesse resposta para tudo. Nem toda a gente tem a tua vida, sabes, nem a tua família. Na tua vida, as coisas acontecem por uma razão. As pessoas fazem sentido. Mas a minha vida não é assim. Ninguém na minha vida faz sentido..." 
O acaso decide juntá-los, tendo tudo começado no autocarro escolar onde, contrariado, Park deixa Eleanor sentar-se a seu lado. A pouco e pouco nasce uma forte amizade entre ambos, onde Park partilha com Eleanor os seus livros de BD e as suas músicas, o que transforma gradualmente a amizade em amor.

E todo este processo é de uma fofura extrema, é terno, é querido, encantador... Simplesmente prende-nos e queremos mais e mais. E é também cómico. Dei por mim inúmeras vezes a rir-me com certas passagens do livro, como por exemplo esta em que Eleanor está a falar de Tina a Park, a rapariga popular da escola e que lhe faz a vida complicada:
"- Estás a gozar? A Tina é um monstro. Ela é o que resultaria se o diabo se casasse com a bruxa má e panassem o bebé numa tigela de maldade ralada."
No entanto, apesar disto, é um livro que também nos alerta para temáticas menos encantadoras, tais como a violência doméstica, o bullying e a negligência parental. 

Quanto ao final, o famoso final, já desconfiava dele devido ao início do livro, e foi algo que mexeu verdadeiramente comigo. Passei por várias fases desde a negação - isto tem de continuar, de certeza que o meu livro está incompleto, passando pela revolta - afinal acabou... mas não pode acabar assim, nãaaaaoooo, pela irritação - não acredito que ela fez isto, como? como?, até à aceitação - afinal acabou mesmo, snif snif, que deu origem à esperança - se calhar vai haver uma continuação... TEM DE continuar. 

E com este livro senti-me exactamente como a Hazel Grace, do livro A culpa é das Estrelas, se sentiu ao terminar de ler Uma Aflição Imperial, tal como escrevi na opinião anterior, aquele sentimento de falta algo aqui, quero saber mais.

E foi todo este misto de sentimentos que não me permitiu escrever logo uma opinião. Tive que acalmar primeiro para poder escrever de cabeça fria.

E sim, este é um livro que vale as 5 estrelas (4,5 só mesmo por causa do final).

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terça-feira, 14 de abril de 2015

Opinião -> A Culpa é das Estrelas


Título Original: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Editora: Edições ASA
Sinopse: Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita. PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.

A minha opinião

Este livro foi lido no mês passado, mas como ando sem inspiração para escrever opiniões realmente o plágio é bem mais fácil estas têm andado paradas.

Foi daqueles casos em que vi o filme primeiro (vi em Novembro de 2014) e gostei tanto que pensei 'eu tenho mesmo que ler isto!', afinal, se gostei tanto do filme, tenho tudo para adorar o livro. Em Março surgiu a oportunidade de o ler e assim fiz.

Posso começar por dizer que, para mim, o melhor do livro é a escrita de John Green. Fiquei simplesmente maravilhada e com vontade de ler mais livros deste autor. Embora esta seja uma história que trata um tema muito sensível - o cancro - o autor fá-lo de forma nua e crua, sem espaço para "lamechices" nem sentimentos de pena ou de "coitadismos". As páginas são repletas de humor, um humor perspicaz e a roçar o negro gosto, que nos faz soltar imensas gargalhadas.

Adoro a construção das personagens, a sua personalidade, força, aceitação da realidade, afastando toda e qualquer vitimização, tentando fazer a vida de forma tão normal quanto o facto de o cancro estar presente permite. 
Este livro é uma grande lição sobre a vida e a morte, fazendo-nos reflectir. 
Para quem pensa que é uma história triste de jovens com cancro que se apaixonam - coitadinhos - não podia estar mais enganado. Muito longe disso!
Hazel Grace é uma jovem de 16 anos, com um humor ácido e muita ironia à mistura, é paciente terminal de cancro há 3, e cujos pulmões estão a falhar - ela diz mesmo que os pulmões dela falham a ser pulmões - e por isso tem que estar sempre com um tanque de oxigénio atrás e dormir com um BIPAP, e que, embora o tratamento esteja a fazer efeito, sabe que a qualquer momento pode morrer, autodenominando-se como sendo uma granada. Apesar de já ter aceite o seu destino, o que mais lhe custa é fazer sofrer as pessoas de quem gosta e que gostam dela, tal como os pais, daí a sua relutância em conhecer pessoas novas. No entanto, é uma adolescente tão normal quanto as suas limitações lhe permitem. Gosta de ler, o seu livro preferido é Uma Aflição Imperial de Peter Van Houten e passa os serões a ver America Next Top Model.
Augustus Waters (Gus) é um rapaz carismático de 17 anos, inteligente e muito metafórico, ex-jogador de basquete e que tem uma perna amputada devido a uma dura luta contra osteossarcoma, que adora videojogos e cujo grande medo é o de ser esquecido. 
Conhecem-se no grupo de apoio que Hazel frequenta forçada pela mãe, e onde Gus apenas vai a pedido do seu grande amigo Isaac (o qual fica cego devido ao cancro). A partir desse momento cresce uma forte amizade entre eles, principalmente devido ao livro preferido de Hazel, o qual tem 651 páginas e acaba a meio de uma frase, deixando-os com um sentimento de falta algo aqui, quero saber mais. E nisto fazem os possíveis por contactar o autor, que vive em Amesterdão, em busca de respostas - o qual se revela uma desilusão.

Entretanto, a partir da viagem a Amesterdão, o livro dá uma inesperada reviravolta, começando a parte da lágrima no canto do olho que se prolonga até à torneira aberta que não quer mais parar.

Confesso que chorei muito mais com o filme do que com o livro, talvez pelo facto de já saber tudo o que ia acontecer. Mas aquela carta no final acaba sempre comigo.

O filme é muito mas muito fiel ao livro, o que é raro acontecer. Quando estava a ler imaginava-os tal como no filme, foi muito bem conseguido. Apesar disso acho que é daqueles livros que merecem ser lidos e relidos.

Este leva 5 estrelas.
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