quinta-feira, 7 de maio de 2015

Diário da minha ausência.

Este mês de Maio está a ser um mês bastante duro para mim.
   
Trabalho (fulltime quase sem folgas) + faculdade (pós-laboral) + trabalhos (inúmeros) + exames (que coincidem com os trabalhos) = Enlouquecer.

Por estes motivos irei estar ausente do blogue, dos vossos cantinhos e também das minhas leituras.
Assim que esta loucura passar e o verão chegar, voltarei em força.

Entretanto só me sinto assim:


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Seres Mágicos em Portugal

Título Original: Seres Mágicos em Portugal
Autor: Vanessa Fidalgo
Editora: A Esfera dos Livros
Sinopse: Dona Adelina conta-nos a história do lobisomem que na freguesia da Bemposta corria ruas pela noite fora estragando o pão que cozia de madrugada nos fornos e assustando os mais novos e indefesos. Na ilha do Pico, Açores, o dia 2 de Fevereiro de cada ano era dia para ficar em casa. Homens, mulheres e crianças trancavam-se a sete chaves e protegiam-se comendo alhos. Lá fora os labregos, uma espécie de duendes, saíam das águas salgadas do mar para nos próximos meses viverem escondidos nos matos verdejantes da ilha. Nas serras de Arruda dos Vinhos é bem conhecida a história de um gigante terrível, que, de tão grande e violento, aterrorizava as povoações da região. Em Santa Maria, nos Açores, o povo garante que as jovens de cabelo vermelho que ainda hoje por lá moram são descendentes de uma jovem e bela sereia que caiu de amores nos braços do filho de um pescador. Fadas, duendes, gigantes, olharapos, lobisomens, trasgos, sereias entre outras, são algumas das criaturas mágicas que habitam o nosso país, o nosso imaginário e que vai conhecer ao longo das páginas deste livro. Depois dos seus anteriores livros Histórias de um Portugal Assombrado e 101 Lugares para Ter Medo em Portugal, a jornalista Vanessa Fidalgo percorreu o país, de lés-a-lés, visitou bibliotecas locais à descoberta de histórias, ouviu relatos e entrevistou dezenas de pessoas para resgatar a nossa rica tradição oral. O resultado é este original livro onde a imaginação e o fantástico ganham protagonismo, numa história que não consta nos manuais escolares, mas que faz parte do nosso país e das nossas tradições.


Este livro lindo chegou cá a casa na semana passada, resultado de um passatempo que ganhei no blogue A Guerra dos Sonos (cujo nome me remete logo para George R. R, Martin, vá-se lá saber porquê) e fiquei tão mas tão feliz! 

Mais uma vez agradeço à dona do blogue, a Cátia, que é super simpática e uma apaixonada por Geocaching como eu.

Aproveitem para visitar o blogue dela, onde vão encontrar, para além de posts sobre livros e opiniões literárias,  uma panóplia de outras divagações e episódios que lhe acontecem no dia a dia. É um blogue que recomendo vivamente! 

Podem visitá-lo aqui.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Opinião -> Eleanor & Park

Título Original: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Edições Chá das Cinco - Saída de Emergência
Sinopse: Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.
Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.
A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.

A minha opinião

Ouvi falar muito deste livro por altura do dia dos namorados porque quem o comprasse nessa altura adquiria uma capa personalizada com dois nomes à sua escolha, o que foi uma excelente iniciativa para os livrólicos. Confesso que na data não me cativou muito e não voltei a pensar mais nele, principalmente por não ser o meu género literário de eleição... Até ao início deste mês, onde no blogue Readings Sunshine foi promovida uma leitura conjunta com este mesmo livro, na qual alinhei. E ainda bem que o fiz porque caso contrário era muito provável não o ler e estaria a perder um livro lindo, fofo e nostálgico, que me levou de volta à minha infância. 

Uma das coisas de que gostei imediatamente quando iniciei a sua leitura, foi o facto de os acontecimentos serem sempre apresentados na perspectiva de ambos, o que é fantástico, pois ficamos a "conhecê-los" bem e a perceber a sua maneira de pensar, o que em certas situações faz falta para não sermos induzidos em erro. 

Também me cativou bastante a época em que se desenrola a acção (80's), algo que me transportou de volta à minha infância. Afinal, quem é que dessa geração não se deparou com os walkmans e com o facto de ter de poupar as pilhas ao máximo? E com as cassetes que eram gravadas e regravadas? E onde nos primeiros namoros o simples dar a mão já era algo de transcendente? E a dificuldade de fazer telefonemas sem ter ninguém por perto? Entre outros pormenores que evocam a nostalgia. 

Eleanor é uma jovem de 16 anos, nova na cidade, que tem uma vida familiar instável, quer a nível financeiro como emocional. Vive com a mãe, os irmãos e o padrasto que instala um sentimento profundo de medo em casa. Como tem problemas económicos, veste-se com roupas "recicladas", geralmente de homem, o que lhe confere uma aparência estranha e que só serve para exaltar as suas diferenças com os demais jovens da sua idade, tais como o facto de ser roliça e de ter o cabelo ruivo e rebelde. Tudo isto contribui para chamar a atenção de forma negativa, tornando-a vítima de bullying.

Park é o oposto de Eleanor. Embora seja semi coreano, e não seja propriamente popular, é respeitado e tenta sempre passar despercebido e tornar-se invisível. Tem uma boa família, estruturada, com um bom ambiente emocional e financeiro. 

Esta oposição entre ambos é claramente demonstrada no seguinte excerto, proferido por Eleanor a Park:
"- Pára de perguntar isso - disse ela, zangada. Tu perguntas sempre isso. Porquê. Como se houvesse resposta para tudo. Nem toda a gente tem a tua vida, sabes, nem a tua família. Na tua vida, as coisas acontecem por uma razão. As pessoas fazem sentido. Mas a minha vida não é assim. Ninguém na minha vida faz sentido..." 
O acaso decide juntá-los, tendo tudo começado no autocarro escolar onde, contrariado, Park deixa Eleanor sentar-se a seu lado. A pouco e pouco nasce uma forte amizade entre ambos, onde Park partilha com Eleanor os seus livros de BD e as suas músicas, o que transforma gradualmente a amizade em amor.

E todo este processo é de uma fofura extrema, é terno, é querido, encantador... Simplesmente prende-nos e queremos mais e mais. E é também cómico. Dei por mim inúmeras vezes a rir-me com certas passagens do livro, como por exemplo esta em que Eleanor está a falar de Tina a Park, a rapariga popular da escola e que lhe faz a vida complicada:
"- Estás a gozar? A Tina é um monstro. Ela é o que resultaria se o diabo se casasse com a bruxa má e panassem o bebé numa tigela de maldade ralada."
No entanto, apesar disto, é um livro que também nos alerta para temáticas menos encantadoras, tais como a violência doméstica, o bullying e a negligência parental. 

Quanto ao final, o famoso final, já desconfiava dele devido ao início do livro, e foi algo que mexeu verdadeiramente comigo. Passei por várias fases desde a negação - isto tem de continuar, de certeza que o meu livro está incompleto, passando pela revolta - afinal acabou... mas não pode acabar assim, nãaaaaoooo, pela irritação - não acredito que ela fez isto, como? como?, até à aceitação - afinal acabou mesmo, snif snif, que deu origem à esperança - se calhar vai haver uma continuação... TEM DE continuar. 

E com este livro senti-me exactamente como a Hazel Grace, do livro A culpa é das Estrelas, se sentiu ao terminar de ler Uma Aflição Imperial, tal como escrevi na opinião anterior, aquele sentimento de falta algo aqui, quero saber mais.

E foi todo este misto de sentimentos que não me permitiu escrever logo uma opinião. Tive que acalmar primeiro para poder escrever de cabeça fria.

E sim, este é um livro que vale as 5 estrelas (4,5 só mesmo por causa do final).

*****

terça-feira, 14 de abril de 2015

Opinião -> A Culpa é das Estrelas


Título Original: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Editora: Edições ASA
Sinopse: Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita. PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.

A minha opinião

Este livro foi lido no mês passado, mas como ando sem inspiração para escrever opiniões realmente o plágio é bem mais fácil estas têm andado paradas.

Foi daqueles casos em que vi o filme primeiro (vi em Novembro de 2014) e gostei tanto que pensei 'eu tenho mesmo que ler isto!', afinal, se gostei tanto do filme, tenho tudo para adorar o livro. Em Março surgiu a oportunidade de o ler e assim fiz.

Posso começar por dizer que, para mim, o melhor do livro é a escrita de John Green. Fiquei simplesmente maravilhada e com vontade de ler mais livros deste autor. Embora esta seja uma história que trata um tema muito sensível - o cancro - o autor fá-lo de forma nua e crua, sem espaço para "lamechices" nem sentimentos de pena ou de "coitadismos". As páginas são repletas de humor, um humor perspicaz e a roçar o negro gosto, que nos faz soltar imensas gargalhadas.

Adoro a construção das personagens, a sua personalidade, força, aceitação da realidade, afastando toda e qualquer vitimização, tentando fazer a vida de forma tão normal quanto o facto de o cancro estar presente permite. 
Este livro é uma grande lição sobre a vida e a morte, fazendo-nos reflectir. 
Para quem pensa que é uma história triste de jovens com cancro que se apaixonam - coitadinhos - não podia estar mais enganado. Muito longe disso!
Hazel Grace é uma jovem de 16 anos, com um humor ácido e muita ironia à mistura, é paciente terminal de cancro há 3, e cujos pulmões estão a falhar - ela diz mesmo que os pulmões dela falham a ser pulmões - e por isso tem que estar sempre com um tanque de oxigénio atrás e dormir com um BIPAP, e que, embora o tratamento esteja a fazer efeito, sabe que a qualquer momento pode morrer, autodenominando-se como sendo uma granada. Apesar de já ter aceite o seu destino, o que mais lhe custa é fazer sofrer as pessoas de quem gosta e que gostam dela, tal como os pais, daí a sua relutância em conhecer pessoas novas. No entanto, é uma adolescente tão normal quanto as suas limitações lhe permitem. Gosta de ler, o seu livro preferido é Uma Aflição Imperial de Peter Van Houten e passa os serões a ver America Next Top Model.
Augustus Waters (Gus) é um rapaz carismático de 17 anos, inteligente e muito metafórico, ex-jogador de basquete e que tem uma perna amputada devido a uma dura luta contra osteossarcoma, que adora videojogos e cujo grande medo é o de ser esquecido. 
Conhecem-se no grupo de apoio que Hazel frequenta forçada pela mãe, e onde Gus apenas vai a pedido do seu grande amigo Isaac (o qual fica cego devido ao cancro). A partir desse momento cresce uma forte amizade entre eles, principalmente devido ao livro preferido de Hazel, o qual tem 651 páginas e acaba a meio de uma frase, deixando-os com um sentimento de falta algo aqui, quero saber mais. E nisto fazem os possíveis por contactar o autor, que vive em Amesterdão, em busca de respostas - o qual se revela uma desilusão.

Entretanto, a partir da viagem a Amesterdão, o livro dá uma inesperada reviravolta, começando a parte da lágrima no canto do olho que se prolonga até à torneira aberta que não quer mais parar.

Confesso que chorei muito mais com o filme do que com o livro, talvez pelo facto de já saber tudo o que ia acontecer. Mas aquela carta no final acaba sempre comigo.

O filme é muito mas muito fiel ao livro, o que é raro acontecer. Quando estava a ler imaginava-os tal como no filme, foi muito bem conseguido. Apesar disso acho que é daqueles livros que merecem ser lidos e relidos.

Este leva 5 estrelas.
*****