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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Opinião -> As Dez Figuras Negras


Título Original: Ten Little Niggers
Autor: Agatha Christie
Editora: RBA Coleccionables
Sinopse: Dez pessoas são convidadas a passar uns dias numa ilha privada: mas o seu misterioso anfitrião não aparece e começam a ser assassinadas uma a uma, seguindo as ingénuas instruções de uma canção de embalar.
Dez desconhecidos, que aparentemente nada têm em comum, são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo terrível, e nessa mesma noite um deles é assassinado.
A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino está entre eles como se prepara para ir atacando uma e outra vez…
O que se segue é uma obra-prima de terror. À medida que cada um dos hóspedes é brutalmente assassinado, as suas mortes vão sendo “celebradas” através do desaparecimento de uma de dez estátuas, as “dez figuras negras”.
Restará alguém para um dia contar o que de facto se passou naquela ilha?
Em As Dez Figuras Negras, a Ilha do Negro, local sombrio e desde sempre povoado de mistérios, é palco de uma estranha e implacável forma de justiça, na qual as vítimas se encontram encurraladas pelas circunstâncias e o agressor é invisível e omnipresente.
A minha opinião

O meu ano de 2016 começou repleto de excelentes leituras. Já li quatro livros e a três deles atribuí 5 estrelas (em contraponto com um ao qual atribuí uma única estrela, mas depois conto-vos tudo).

Terminei de ler A Game Of Thrones, que já andava a ler há alguns meses e peguei de imediato no As Dez Figuras Negras. Já desconfiava que seria bom, devido às boas críticas que tem, mas acreditem quando digo que é mesmo EXCELENTE! Não vou aqui fazer um resumo do livro porque a sinopse está perfeita e ressalta bem a sua essência, e não há muito mais que possa dizer sem spoilar.

Este foi o segundo livro que li da autora, comecei no verão passado com Um Crime no Expresso do Orientei, o qual já me tinha deixado rendida, principalmente devido ao final, que estava mesmo longe de adivinhar. E eu adoro finais originais e que constituem uma surpresa para mim.

As Dez Figuras Negras não foi exceção. Comecei logo de início a dizer que o assassino seria x, mas o livro é repleto de plot twists, a autora troca-nos as voltas como ninguém, e a meio do livro já não sabemos de nada. Todas as certezas que tínhamos evaporam-se, menos uma: a de que o livro é fantástico e de que não o podemos largar até descobrirmos QUEM RAIO É O ASSASSINO!!! Chegamos a um ponto em que nós, a para das personagens que ainda vivem, desconfiamos de tudo e de todos.

A tentação de ir espreitar o final percorreu-me durante quase todas as páginas, mas aconselho vivamente a que resistam à tentação, porque acreditem que a leitura não será a mesma!

Se eu já tinha ficado com a sensação de que Agatha Christie era genial, agora percebo o porquê de ela ser considerada a Rainha do Crime! Jeez, ela é perfeita. A escrita é de uma grande simplicidade e as histórias curtas, o que leva a que se leiam bastante rápido, mas depois ela presenteia-nos com um final que nos leva a ver que todos os pequenos detalhes que estavam para trás e que até nem ligámos muito, afinal eram relevantes. E que final!

E não é só o final, atenção. Temos também as personagens, todas genialmente construídas, com personalidades pensadas ao mais ínfimo pormenor, todos com feitios diferentes, e que são mais que personagens, são pessoas, com as quais nos vamos identificando mais ou menos (gostei imenso do Lombard e do Blore).
E os pequenos grandes detalhes que fazem toda a diferença? Bolas, quando descobri o significado do nome U. N. Owen fiquei wow. A sério, PERFEITO!

Para não falar de que todas as mortes são pautadas por uma lengalenga infantil, que se encontra pendurada em todas as divisões da mansão. Para terem noção até que ponto vai a sua genialidade, deixo-vos a lengalenga de acordo com a qual os crimes vão ocorrendo:

"Dez meninos negros foram jantar;
Um engasgou-se e sobraram nove.
Nove meninos negros deitaram-se tarde;
Um dormiu de mais e sobraram oito.
Oito meninos negros foram viajar pelo Devon;
Um disse que por lá ficava e sobraram sete.
Sete meninos negros foram cortar lenha:
Um cortou-se em dois e sobraram seis.
Seis meninos negros brincaram com uma colmeia;
Um abelhão ferrou um e sobraram cinco.
Cinco meninos negros seguiram a advocacia;
Um foi para o Supremo Tribunal e sobraram quatro.
Quatro meninos negros foram para o mar;
Um caiu no anzol e sobraram três.
Três meninos negros andavam pelo jardim zoológico;
Um levou um chi-coração de um urso enorme e sobraram dois.
Dois meninos negros sentaram-se ao sol;
Um deles ficou assado e sobrou um.
Um menino negro ficou completamente só;
Foi e enforcou-se e não sobrou nenhum."

Claro que depois disto tive de ir pesquisar TUDO sobre o livro, tal como faço sempre que um livro me fascina, e descobri que, para além de todas as adaptações de que já foi alvo, há uma mini-série recente, de final de 2015. Escusado será dizer que a vi de seguida. Mas isto fica para um outro post.

A edição do livro que tenho já não existe à venda, mas podem encontrar a edição da ASA aqui.

*****

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Opinião -> Peripécias do Coração

Título Original: The Viscount Who Loved Me
Autor: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
Sinopse: A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado... Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginaram. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre.
A minha opinião:
Depois de ter lido o primeiro livro desta série no mês passado, mal podia esperar para pegar no segundo. No início de Setembro, após ler o genial Admirável Mundo Novo,  queria uma leitura mais leve e lancei-me logo ao Peripécias do Coração.

O protagonista deste livro é Anthony, o irmão Bridgerton mais velho, que tão bem conhecemos no livro anterior (Crónica de Paixões e Caprichos), tendo-nos sido apresentado como sendo um solteirão libertino e um irmão mega protector e pilar da família (visto o pai ter falecido).

Aqui ele considera ter chegado a altura de se casar, afinal a sua morte aproxima-se (convicção que tem desde que perdeu o pai). Procura então a noiva ideal - bonita, atraente, inteligente q.b., mas que não o faça cair na tentação de se apaixonar. Eis que surge Edwina, a sensação da nova temporada londrina, e se depara como sendo a noiva perfeita. Porém Anthony não tem a vida muito facilitada uma vez que tem de obter não só a aceitação de Edwina, como também a aprovação da sua irmã mais velha Kate, a qual, para além de não ter papas na língua, não aprova de todo o libertino Anthony.
E é aqui que surgem umas quantas peripécias e reviravoltas. Nada de inesperado e surpreendente, é um facto, mas a escrita de Julia Quinn é simplesmente maravilhosa e prende-nos do princípio ao fim, fazendo-nos querer mais e mais. 
Mais uma vez saliento o seu recurso ao humor, que neste livro se encontra ainda mais acentuado. Adorei! Dei por mim a dar várias gargalhadas, o que não é muito frequente acontecer. O meu Homme Trivial já olhava para mim de lado e dizia "já nem vou perguntar mais nada".

Deixo-vos como exemplo esta passagem que conta a reacção dos irmãos de Anthony quando este lhes anuncia a sua intenção de se casar:
" Benedict Bridgerton, que se entregava a um hábito que a mãe detestava - equilibrar o cadeirão nas duas pernas de trás - caiu.
  Colin Bridgerton engasgou-se.
  Felizmente para Colin, Benedict recompôs-se a tempo de lhe dar uma sonora palmada nas costas e fazer com que uma azeitona verde voasse até ao outro lado da mesa.
  Quase acertava na orelha de Anthony."
Também não posso deixar de realçar, uma vez mais, o início de cada capítulo que é feito com um excerto do jornal da misteriosa Lady Whistledown. Estou ansiosa por saber quem ela é! 
O epílogo - 9 anos depois - começa com uma crónica de Lady Whistledown, levando a um discurso entre Kate e Anthony sobre quem ela será, velha enrugada ou nova? O que me deixou confusa, visto que sei que no 4º livro da série já se sabe quem ela é. No entanto não fui pesquisar após quantos anos esse livro se passa logo fica aqui esta nota apenas para quando lá chegar vir rever.

Deixo apenas uma nota negativa para o facto de a versão que li em ebook ter pequenas gralhas tais como 
"Miss Sheffield tapou a mão com a boca" (?!?). 
Ou estarem a referir-se a Eloise mas escreverem Edwina, algo que aconteceu pelo menos duas vezes e me deixou baralhada, fazendo-me reler a página anterior para perceber quem estava realmente a falar - ok, não sei se é erro de tradução ou se também aconteceu na versão original, não fui pesquisar.

Quanto ao novo acordo... Para mim não tem lógica tirarem o acento ao "pára". Numa frase deste género "Bem, para de olhar para ele" irrita-me profundamente. Irra.
Voltando ao enredo, Kate e Anthony formam um dos meus casais literários preferidos! E fiquei muito fã de Anthony após uma atitude tão cavalheiresca que teve num baile dado pela sua mãe - Bem feita Cressida. 
Curiosos? Têm de ler!

Deste modo, este livro leva 5 grandes estrelas. 
*****

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Opinião -> Crónica de Paixões e Caprichos

Título Original: The Duke and I
Autor: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
Sinopse: As mães casamenteiras da alta sociedade londrina, estão ao rubro. Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) Duque de Hastings, está de volta Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…

Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos.

Juntos, os jovens decidem fugir de um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos iniciais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal.

A minha opinião

Gosto muito de romances históricos e quando quero uma leitura mais leve e aconchegante lá vou à procura de um. Desta vez a autora escolhida foi a tão badalada Julia Quinn. Só vejo a falarem bem desta autora e tinha mesmo de experimentar. 

Este é o primeiro livro da série Bridgerton, uma família fantástica e bastante numerosa e da qual fiquei fã. O enredo em si pouco traz de novo a este género literário, mas um ponto bastante favorável é o sentido de humor que é uma presença constante mesmo nos momentos mais inesperados.

Cada capítulo começa de forma perfeita com um excerto de um jornal "cor-de-rosa" recente, que contém mexericos acerca da alta sociedade londrina e que é escrito pela misteriosa Lady Whistledown, que ninguém conhece mas que parece estar presente em todos os importantes eventos. E fiquei cheia de curiosidade de descobrir quem é! 

Os protagonistas deste livro são Daphne - a 4ª dos irmãos Bridgerton, sendo que é a rapariga mais velha, mas que tem 3 irmãos mais velhos que são ultra-protectores e engraçadíssimos e ainda uma mãe galinha super amorosa que tudo faz para lhe arranjar um bom noivo, deixando-a, contudo, escolher. E Simon - um duque com uma infância infeliz, melhor amigo de Anthony (irmão mais velho de Daphne), que não quer casar e que tem um segredo que o atormenta. 

As personagens de que mais gostei foram Violet - a mãe Bridgerton; Colin - o 3º irmão Bridgerton e melhor amigo de Daphne; e também Hyacinth, a irmã mais nova mas despachada e desenrascada que tanto me fez rir.

Até meio do livro estava a adorar Daphne, que é uma rapariga atípica na época, com uma personalidade forte, segura de si e sem papas na língua. No entanto de um momento para o outro mudou e fui gostando cada vez menos dela (e é aqui que vou começar a ser crucificada visto que de todas as opiniões que li, toda a gente gosta dela). 

Ela demonstrou ser uma personagem manipuladora, que tudo faz para alcançar o que quer, mesmo que para isso tenha que mentir, jogar baixo e fazer-se de coitadinha (e pronto atirem lá as pedras).

 Passo a explicar (atenção que contém spoilers):

1. O duque, Simon, preferia ser morto a ter que casar, devido a motivos pessoais que se prendem com o seu passado, independentemente de ter ou não razão. O que faz Daphne? Tenta perceber o que se passa? Não! Mente, a dizer que os viram aos beijos num canto escuro do jardim, e chantageia-o dizendo que ele tem que casar com ela para ela não perder a sua honra e dignidade. Já aqui torci o nariz, mas dei o benefício da dúvida. 

2. Simon acede ao casamento mas diz-lhe para ela pensar bem porque ele não pode ter filhos. Daphne aceita a condição até descobrir que esse "não pode" nada tem a ver com infertilidade, como ela supunha, mas sim devido a convicções ideológicas e morais do duque. E o que faz? Dá-lhe tempo, para ver se muda de ideias? Tenta perceber que convicções são essas? Nãaaaoooo... Decide abusar dele quando ele está a cair de bêbado, coloca-se deliberadamente em cima dele de modo a que não deite a sua "semente" fora (como até ali fazia) e poder engravidar, sem respeitar a opinião dele. E aqui acabou de vez a minha empatia por esta personagem. É algo que acho muito baixo.

3. Sim, ainda há mais, Simon sai de casa porque (obviamente) ficou chateado com a situação e Daphne muda-se para Londres, para estar mais perto da família. Quando os irmãos a visitam e procuram pelo duque e alegam que se o descobrem o matam por a ter abandonado, o que faz ela? Diz que a culpa foi dela e que ele tem razão em estar chateado, mesmo sem entrar em detalhes técnicos? Claro que não! Fica caladinha que nem um rato e deixa que todos pensem mal de Simon e que tenham pena dela.  

4. Posto tudo isto, Simon ainda volta, pede-lhe desculpa - sim ELE pede desculpa, não ela - e ela aceita com a condição de - põe lá o passado para trás das costas e vamos ter um filho. Ele lá acede, mas dias depois fica deprimido pois os seus fantasmas ainda o assombram. E ela, que já tinha tido o que queria, diz-lhe "não faz mal, eu também não quero o filho agora, só daqui a uns tempos" o que tem muita lógica depois de já terem estado no pinanço n vezes e de já ter tido tempo de engravidar.

Algo de que também não gostei foi do final em que o duque que nunca se tinha declarado, depois de o fazer pela primeira vez, diz "Eu amo-te" em quase todas as frases que profere - Boring

Apesar destes aspectos que me desagradaram, a história em si está muito boa, proporcionou-me sem dúvida uma boa leitura e foi um livro que li num ápice! 

Quero ler mais, quero saber o destino dos restantes irmãos e acredito que vou gostar ainda mais do que gostei deste.  E espero descobrir quem é afinal a autora das crónicas que deixam a sociedade em alvoroço. 

Gostava ainda de saber o que é que as cartas que o pai de Simon lhe deixou contêm, mas acho que isso já não vai acontecer e vai mesmo ficar à minha imaginação. 

Posto tudo isto dei 4 merecidas estrelas a este livro e vou com as expectativas altas para os próximos.  Que venham eles!


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terça-feira, 14 de abril de 2015

Opinião -> A Culpa é das Estrelas


Título Original: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Editora: Edições ASA
Sinopse: Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita. PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.

A minha opinião

Este livro foi lido no mês passado, mas como ando sem inspiração para escrever opiniões realmente o plágio é bem mais fácil estas têm andado paradas.

Foi daqueles casos em que vi o filme primeiro (vi em Novembro de 2014) e gostei tanto que pensei 'eu tenho mesmo que ler isto!', afinal, se gostei tanto do filme, tenho tudo para adorar o livro. Em Março surgiu a oportunidade de o ler e assim fiz.

Posso começar por dizer que, para mim, o melhor do livro é a escrita de John Green. Fiquei simplesmente maravilhada e com vontade de ler mais livros deste autor. Embora esta seja uma história que trata um tema muito sensível - o cancro - o autor fá-lo de forma nua e crua, sem espaço para "lamechices" nem sentimentos de pena ou de "coitadismos". As páginas são repletas de humor, um humor perspicaz e a roçar o negro gosto, que nos faz soltar imensas gargalhadas.

Adoro a construção das personagens, a sua personalidade, força, aceitação da realidade, afastando toda e qualquer vitimização, tentando fazer a vida de forma tão normal quanto o facto de o cancro estar presente permite. 
Este livro é uma grande lição sobre a vida e a morte, fazendo-nos reflectir. 
Para quem pensa que é uma história triste de jovens com cancro que se apaixonam - coitadinhos - não podia estar mais enganado. Muito longe disso!
Hazel Grace é uma jovem de 16 anos, com um humor ácido e muita ironia à mistura, é paciente terminal de cancro há 3, e cujos pulmões estão a falhar - ela diz mesmo que os pulmões dela falham a ser pulmões - e por isso tem que estar sempre com um tanque de oxigénio atrás e dormir com um BIPAP, e que, embora o tratamento esteja a fazer efeito, sabe que a qualquer momento pode morrer, autodenominando-se como sendo uma granada. Apesar de já ter aceite o seu destino, o que mais lhe custa é fazer sofrer as pessoas de quem gosta e que gostam dela, tal como os pais, daí a sua relutância em conhecer pessoas novas. No entanto, é uma adolescente tão normal quanto as suas limitações lhe permitem. Gosta de ler, o seu livro preferido é Uma Aflição Imperial de Peter Van Houten e passa os serões a ver America Next Top Model.
Augustus Waters (Gus) é um rapaz carismático de 17 anos, inteligente e muito metafórico, ex-jogador de basquete e que tem uma perna amputada devido a uma dura luta contra osteossarcoma, que adora videojogos e cujo grande medo é o de ser esquecido. 
Conhecem-se no grupo de apoio que Hazel frequenta forçada pela mãe, e onde Gus apenas vai a pedido do seu grande amigo Isaac (o qual fica cego devido ao cancro). A partir desse momento cresce uma forte amizade entre eles, principalmente devido ao livro preferido de Hazel, o qual tem 651 páginas e acaba a meio de uma frase, deixando-os com um sentimento de falta algo aqui, quero saber mais. E nisto fazem os possíveis por contactar o autor, que vive em Amesterdão, em busca de respostas - o qual se revela uma desilusão.

Entretanto, a partir da viagem a Amesterdão, o livro dá uma inesperada reviravolta, começando a parte da lágrima no canto do olho que se prolonga até à torneira aberta que não quer mais parar.

Confesso que chorei muito mais com o filme do que com o livro, talvez pelo facto de já saber tudo o que ia acontecer. Mas aquela carta no final acaba sempre comigo.

O filme é muito mas muito fiel ao livro, o que é raro acontecer. Quando estava a ler imaginava-os tal como no filme, foi muito bem conseguido. Apesar disso acho que é daqueles livros que merecem ser lidos e relidos.

Este leva 5 estrelas.
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