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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Opinião -> Perguntem a Sarah Gross | Dia Internacional da Lembrança do Holocausto

Como sabem, hoje é o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto. Como tal, que dia melhor do que este para finalmente publicar a minha opinião daquele livro que ADOREI e que considerei ser um dos melhores livros que li em 2015? A qual andei a arrastar, em parte porque ainda o estava a digerir, e posteriormente devido ao cansaço extremo que não me deixava escrever nada conciso.

Esta opinião está também disponível no blog Crónicas de Uma Leitora, basta clicarem aqui. Passem por lá, deixem o vosso feedback e sigam o blogue. 

Então, aqui vai.

 
Título Original: Perguntem a Sarah Gross
Autor: João Pinto Coelho
Editora: Dom Quixote
Sinopse: Em 1968, Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, atravessa os Estados Unidos para ir ensinar no colégio mais elitista da Nova Inglaterra, dirigido por uma mulher carismática e misteriosa chamada Sarah Gross. Foge de um segredo terrível e procura em St. Oswald’s a paz possível com a companhia da exuberante Miranda, o encanto e a sensibilidade de Clement e sobretudo a cumplicidade de Sarah. Mas a verdade persegue Kimberly até ali e, no dia em que toma a decisão que a poderia salvar, uma tragédia abala inesperadamente a instituição centenária, abrindo as portas a um passado avassalador.
Nos corredores da universidade ou no apertado gueto de Cracóvia; à sombra dos choupos de Birkenau ou pelas ruas de Auschwitz quando ainda era uma cidade feliz, Kimberly mergulha numa história brutal de dor e sobrevivência para a qual ninguém a preparou.
Rigoroso, imaginativo e profundamente cinematográfico, com diálogos magistrais e personagens inesquecíveis, Perguntem a Sarah Gross é um romance trepidante que nos dá a conhecer a cidade que se tornou o mais famoso campo de extermínio da História. A obra foi finalista do prémio LeYa em 2014.

A minha opinião:
Quando decidi ler este livro em Setembro fui, como na maior parte das vezes, às escuras, movida apenas pelo burburinho que tanto andava a causar pelo universo da internet, nomeadamente em blogs, facebook e goodreads. Como em tudo na vida, não gosto de me ficar apenas pela opinião dos outros e, como tal, tive de ler para ter a minha própria opinião fundamentada.

De início estava um pouco reticente porque a narrativa se estava a desenrolar de um modo um pouco arrastado e eu sem perceber o porquê de tanto falatório. Expectativas my dears, a culpa era toda das expectativas e, quando o percebi, refreei-as e comecei a apreciar mais a leitura.

Tenho que começar por destacar a escrita de João Pinto Coelho, que só muito a custo acreditei tratar-se de um estreante, tal é a sua complexidade e riqueza. Os detalhes retratados ao pormenor, as analepses recorrentes e que resultaram tão bem (embora não sejam novidade neste género literário), onde tão depressa estamos em 1968 em Nova Inglaterra, como de seguida estamos a viver o período pré e durante Segunda Guerra Mundial. Está tudo tão bem descrito e pormenorizado que nos sentimos lá. Percebe-se a profundidade da investigação que esteve por detrás do livro, de tal modo que damos por nós a acreditar que também nós lá estivemos e que sim, sem sombra de dúvida tudo se passou tal como nos é contado.

E quanto ao enredo, ai o enredo... Como já referi, começa de forma lenta mas, sabem que mais, não poderia ser de outra forma. Leva-nos gradualmente ao cerne da questão, a querer saber sempre mais acerca da extremamente enigmática, mas profundamente carismática, Sarah Gross. Rimos, suspiramos e choramos com o que "ela" tem para nos contar. Envolvemos-nos de tal maneira que damos por nós numa bola de neve, onde cada pormenor que nos é revelado nos leva a querer mais e mais e cada vez nos prende mais e assim nos deixa rendidos.

Já o desenrolar da ação, este por várias vezes dá-nos um murro no estômago pois não vai na direção que suspeitamos. Principalmente aquele final (não, não vou spoilar, don't worry). Bolas! Que final! Em momento algum sugeriu ir naquele sentido, apanhando-nos completamente desprevenidos. Como, quando, onde é que aquilo se deu? Foram as questões que preencheram o meu cérebro durante dias e que até hoje ainda não consigo responder. Mas posso dizer que foi perfeito e que foi de génio, afinal levou-nos o tempo inteiro numa direção, para terminar abruptamente noutra (damn!).

Quem diria que aqui iria encontrar de tudo, história, ação, suspense, romance...É um livro sem dúvida completo, que se enquadra em variados gostos literários.

Bem, acho que não me vou estender mais...

Por fim, resta-me reforçar o que em inúmeros comentários e opiniões já foi dito. Este livro tem MESMO que ser traduzido no maior número de línguas possível! 

Não vou dizer se devia ou não ter vencido o prémio Leya pois, por um lado não faço parte do júri, e por outro,  não li o livro vencedor (que confesso que não o tenho sequer na wishlist) portanto seria presunção da minha parte fazer tal afirmação. Apenas posso dizer que, à sua maneira, este acabou por ser o grande vencedor e fico feliz por isso. 

Por tudo isto e por mais que não consigo exprimir, merece as 5* !


*****

Ah! Aproveito para vos recomendar a leitura deste artigo sobre o autor e o livro, enjoy!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Balanço de 2015

Ano Novo, Vida Nova, assim se diz.

E chega a altura de fazer o balanço literário do ano que passou.

Foram 28 livros, uns melhores, outros piores, uns académicos, outros puramente lúdicos, romances, fantasia, científicos, históricos, YA... houve de tudo um pouco nestas meras (que para mim foram muitas, talvez mesmo o ano em que mais li) quase três dezenas.

Na sua generalidade o ano foi bastante positivo e repleto de excelentes leituras.

Relativamente aos melhores livros que li foram, indubitavelmente, Perguntem a Sarah Gross; Uma Praça em Antuérpia (yap, gosto de históricos); Admirável Mundo Novo e, num estilo mais suave, Eleanor & Park.
 
No entanto, e num registo diferente, não posso deixar de salientar duas releituras de livros que simplesmente ADORO: A saga Harry Potter (por questões óbvias) e a trilogia Seven Waters (Juliet Marillier, you rock).

Quanto aos piores livros... o ano não começou da melhor forma, com A Minha Segunda Vida, tudo bem que ia com as expectativas elevadas (depois do grande sucesso de Os Filhos da Droga, quem não?), mas o livro é mesmo, mesmo fraquinho. Li ainda o Obsessão, de Maya Banks, baahh detestei mesmo, o pior (ok, não gosto sequer do género, mas ainda assim dei o benefício da dúvida), e para finalizar o top 3, deixo ainda o Duas Irmãs, Um Duque. Fraquinho, com partes com as quais não concordei, mas ainda assim, como sou uma pessoa muito generosa nas notas que dou, lá levou 3 estrelas.

Estou ainda a ler A Game of Thrones, há 2/3 meses, insane, mas a faculdade este ano está a ser muuiiitooo exigente que tive que deixar leituras e blog de lado (mas nem tudo é mau, ganhei novamente o prémio de mérito e fui a melhor aluna do meu curso weee vale a pena o esforço).

Quanto a 2016 espero conseguir ler mais e com tantas ou mais leituras excelentes (estou num momento de pura loucura a pensar reler os últimos 3 livros de HP... mas acho que deve ser momentâneo). 

UM FELIZ ANO NOVO PARA VOCÊS!!!

Bloggem muito e leiam ainda mais :D 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Opinião -> Uma Praça em Antuérpia

Título Original: Uma praça em Antuérpia
Autor: Luize Valente
Editora: Saída de Emergência
Sinopse: Há uma saga que ainda não foi contada sobre a Segunda Guerra Mundial: a história de duas irmãs portuguesas, Olívia e Clarice. Olívia casa-se com um português e vai para o Brasil. Clarice casa-se com um alemão judeu e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Ambas vivem felizes, com maridos e filhos, até que a guerra começa e a Bélgica é invadida.
Para escapar da sombra nazi que vai devorando a Europa, a família de Clarice conta com a ajuda de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que salvou milhares de vidas emitindo vistos para Portugal, em 1940, enquanto atuou em Bordéus, França. A família recebe o visto mas, ao chegar à fronteira de Portugal, um destino trágico a espera... Destino que vai mudar e marcar a vida das irmãs para sempre, por causa de um segredo que só será revelado sessenta anos depois.

A minha opinião

Quando peguei neste livro confesso que o fiz apenas baseada na capa, que acho LINDA, e no título por soar a romance, que era mesmo o que eu estava a precisar - uma leitura ligeira. 

Eis que quando o abro, se inicia com uma citação de Aristides Sousa Mendes e o meu primeiro pensamento foi - Oh não, acabei de ler um livro brilhante cujo tema de fundo é a Segunda Guerra Mundial e agora vou  ler outro de seguida! Tem tudo para correr mal pois, inevitavelmente, vou estar sempre a fazer comparações e a fasquia está muito, muito elevada!

Deste modo iniciei a leitura com as expectativas baixas, com a certeza de que ia ler mais do mesmo, cliché atrás de cliché.
E não podia estar mais enganada!
Luize Valente sabe prender-nos como ninguém. Lança-nos uma "bomba" logo ao início do livro que, se não fosse a sua capacidade brilhante de captar o leitor, teria tudo para correr mal pois ficamos, desde logo, a saber qual será o desfecho da história.

O livro começa no dia 1 de Janeiro de 2000, no Rio de Janeiro, com Olívia, uma idosa de 80 anos que, ainda a sofrer com a perda recente do seu filho, decide contar à neta (também ela a sofrer com mais um aborto espontâneo) o seu maior segredo que guarda só para ela há 60 anos.
Spoilers, pensamos nós, MAS, apesar de a autora nos dar a saber logo à partida quem morre e quem sobrevive, o que é certo é que o enredo não poderia ser mais viciante e cativante.

Olívia leva-nos numa viagem ao passado, começando a contar a sua história de vida precisamente desde o início, isto é, desde a gravidez da sua mãe, em Guimarães no início do século XX, a qual faleceu após o seu nascimento e da sua irmã gémea, levando ao consequente afastamento do seu pai que, por tanto amar a mulher, as culpabiliza pela sua morte. Deste modo, acabam por ser criadas pela avó.

E assim se desenrola toda uma história de vida relativamente pacata, que se torna mais atribulada a partir do momento em que a sua avó morre levando-a a mudar-se para junto da irmã em Lisboa, onde se apaixona por Theodor à primeira vista, um judeu comunista fugido da Alemanha, e engravida dele. A força do destino (ou do regime político existente na altura) levou a que, sem marido e grávida, se refugiasse na Guarda. Até ao dia em que Theodor regressa para fugirem juntos para Antuérpia visto que, por ser comunista, tem de fugir de Portugal.

E é aqui que a maior parte da ação se desenrola. Após um curto período de grande felicidade, de repente têm de largar tudo o que construíram e fugir, sem nada, devido ao domínio crescente Nazista. O objetivo é conseguirem chegar a Portugal de onde podem partir para o Brasil onde o marido da sua irmã os espera, mas para tal têm de conseguir chegar a França primeiro para tratar da papelada necessária e ainda atravessar Espanha. E isto tudo grávida de 8 meses, com Bernardo de 3 anos nos braços e sempre debaixo de bombardeamentos, com ataques atrás de ataques que destroem tudo à sua passagem.

É esta azáfama que vivemos com os personagens como se nós mesmos lá estivéssemos, sempre com o coração nas mãos sabendo que a qualquer altura algo vai correr mal mas sem saber em que momento. A autora consegue-nos deixar sempre com a esperança de que vai haver um final feliz. Afinal, depois de tanta tormenta a bonança é mais do que merecida.  

E eu queria saber sempre mais, acompanhar Olívia (ou será Clarice?) nas suas aventuras e desventuras, lutar com ela, rir com ela e chorar com ela. E sofri com ela. Aquela angústia no peito devido a tantas injustiças e eu mera espectadora, sem poder fazer nada, é indescritível.

É portanto um livro impossível de largar pois nós estamos lá, estamos a viver aquele momento, todas as dores, todos os medos, todos os esforços inimagináveis, nós estamos a vivê-los. E foi assim que Luize Valente me deixou acordada noite fora, com apenas 3 horas dormidas, mas por um final que valeu por tudo!

Não conhecia a autora mas fiquei sua fã. Um livro escrito como ninguém, que nos prende do início ao fim e com um final... Que final! Aconselho vivamente!

5 estrelas gigantes para este livro!  

*****

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Opinião -> Crónica de Paixões e Caprichos

Título Original: The Duke and I
Autor: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
Sinopse: As mães casamenteiras da alta sociedade londrina, estão ao rubro. Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) Duque de Hastings, está de volta Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…

Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos.

Juntos, os jovens decidem fugir de um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos iniciais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal.

A minha opinião

Gosto muito de romances históricos e quando quero uma leitura mais leve e aconchegante lá vou à procura de um. Desta vez a autora escolhida foi a tão badalada Julia Quinn. Só vejo a falarem bem desta autora e tinha mesmo de experimentar. 

Este é o primeiro livro da série Bridgerton, uma família fantástica e bastante numerosa e da qual fiquei fã. O enredo em si pouco traz de novo a este género literário, mas um ponto bastante favorável é o sentido de humor que é uma presença constante mesmo nos momentos mais inesperados.

Cada capítulo começa de forma perfeita com um excerto de um jornal "cor-de-rosa" recente, que contém mexericos acerca da alta sociedade londrina e que é escrito pela misteriosa Lady Whistledown, que ninguém conhece mas que parece estar presente em todos os importantes eventos. E fiquei cheia de curiosidade de descobrir quem é! 

Os protagonistas deste livro são Daphne - a 4ª dos irmãos Bridgerton, sendo que é a rapariga mais velha, mas que tem 3 irmãos mais velhos que são ultra-protectores e engraçadíssimos e ainda uma mãe galinha super amorosa que tudo faz para lhe arranjar um bom noivo, deixando-a, contudo, escolher. E Simon - um duque com uma infância infeliz, melhor amigo de Anthony (irmão mais velho de Daphne), que não quer casar e que tem um segredo que o atormenta. 

As personagens de que mais gostei foram Violet - a mãe Bridgerton; Colin - o 3º irmão Bridgerton e melhor amigo de Daphne; e também Hyacinth, a irmã mais nova mas despachada e desenrascada que tanto me fez rir.

Até meio do livro estava a adorar Daphne, que é uma rapariga atípica na época, com uma personalidade forte, segura de si e sem papas na língua. No entanto de um momento para o outro mudou e fui gostando cada vez menos dela (e é aqui que vou começar a ser crucificada visto que de todas as opiniões que li, toda a gente gosta dela). 

Ela demonstrou ser uma personagem manipuladora, que tudo faz para alcançar o que quer, mesmo que para isso tenha que mentir, jogar baixo e fazer-se de coitadinha (e pronto atirem lá as pedras).

 Passo a explicar (atenção que contém spoilers):

1. O duque, Simon, preferia ser morto a ter que casar, devido a motivos pessoais que se prendem com o seu passado, independentemente de ter ou não razão. O que faz Daphne? Tenta perceber o que se passa? Não! Mente, a dizer que os viram aos beijos num canto escuro do jardim, e chantageia-o dizendo que ele tem que casar com ela para ela não perder a sua honra e dignidade. Já aqui torci o nariz, mas dei o benefício da dúvida. 

2. Simon acede ao casamento mas diz-lhe para ela pensar bem porque ele não pode ter filhos. Daphne aceita a condição até descobrir que esse "não pode" nada tem a ver com infertilidade, como ela supunha, mas sim devido a convicções ideológicas e morais do duque. E o que faz? Dá-lhe tempo, para ver se muda de ideias? Tenta perceber que convicções são essas? Nãaaaoooo... Decide abusar dele quando ele está a cair de bêbado, coloca-se deliberadamente em cima dele de modo a que não deite a sua "semente" fora (como até ali fazia) e poder engravidar, sem respeitar a opinião dele. E aqui acabou de vez a minha empatia por esta personagem. É algo que acho muito baixo.

3. Sim, ainda há mais, Simon sai de casa porque (obviamente) ficou chateado com a situação e Daphne muda-se para Londres, para estar mais perto da família. Quando os irmãos a visitam e procuram pelo duque e alegam que se o descobrem o matam por a ter abandonado, o que faz ela? Diz que a culpa foi dela e que ele tem razão em estar chateado, mesmo sem entrar em detalhes técnicos? Claro que não! Fica caladinha que nem um rato e deixa que todos pensem mal de Simon e que tenham pena dela.  

4. Posto tudo isto, Simon ainda volta, pede-lhe desculpa - sim ELE pede desculpa, não ela - e ela aceita com a condição de - põe lá o passado para trás das costas e vamos ter um filho. Ele lá acede, mas dias depois fica deprimido pois os seus fantasmas ainda o assombram. E ela, que já tinha tido o que queria, diz-lhe "não faz mal, eu também não quero o filho agora, só daqui a uns tempos" o que tem muita lógica depois de já terem estado no pinanço n vezes e de já ter tido tempo de engravidar.

Algo de que também não gostei foi do final em que o duque que nunca se tinha declarado, depois de o fazer pela primeira vez, diz "Eu amo-te" em quase todas as frases que profere - Boring

Apesar destes aspectos que me desagradaram, a história em si está muito boa, proporcionou-me sem dúvida uma boa leitura e foi um livro que li num ápice! 

Quero ler mais, quero saber o destino dos restantes irmãos e acredito que vou gostar ainda mais do que gostei deste.  E espero descobrir quem é afinal a autora das crónicas que deixam a sociedade em alvoroço. 

Gostava ainda de saber o que é que as cartas que o pai de Simon lhe deixou contêm, mas acho que isso já não vai acontecer e vai mesmo ficar à minha imaginação. 

Posto tudo isto dei 4 merecidas estrelas a este livro e vou com as expectativas altas para os próximos.  Que venham eles!


****

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Opinião -> Eleanor & Park

Título Original: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Edições Chá das Cinco - Saída de Emergência
Sinopse: Dois inadaptados. Um amor extraordinário.

Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.
Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.
A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.

A minha opinião

Ouvi falar muito deste livro por altura do dia dos namorados porque quem o comprasse nessa altura adquiria uma capa personalizada com dois nomes à sua escolha, o que foi uma excelente iniciativa para os livrólicos. Confesso que na data não me cativou muito e não voltei a pensar mais nele, principalmente por não ser o meu género literário de eleição... Até ao início deste mês, onde no blogue Readings Sunshine foi promovida uma leitura conjunta com este mesmo livro, na qual alinhei. E ainda bem que o fiz porque caso contrário era muito provável não o ler e estaria a perder um livro lindo, fofo e nostálgico, que me levou de volta à minha infância. 

Uma das coisas de que gostei imediatamente quando iniciei a sua leitura, foi o facto de os acontecimentos serem sempre apresentados na perspectiva de ambos, o que é fantástico, pois ficamos a "conhecê-los" bem e a perceber a sua maneira de pensar, o que em certas situações faz falta para não sermos induzidos em erro. 

Também me cativou bastante a época em que se desenrola a acção (80's), algo que me transportou de volta à minha infância. Afinal, quem é que dessa geração não se deparou com os walkmans e com o facto de ter de poupar as pilhas ao máximo? E com as cassetes que eram gravadas e regravadas? E onde nos primeiros namoros o simples dar a mão já era algo de transcendente? E a dificuldade de fazer telefonemas sem ter ninguém por perto? Entre outros pormenores que evocam a nostalgia. 

Eleanor é uma jovem de 16 anos, nova na cidade, que tem uma vida familiar instável, quer a nível financeiro como emocional. Vive com a mãe, os irmãos e o padrasto que instala um sentimento profundo de medo em casa. Como tem problemas económicos, veste-se com roupas "recicladas", geralmente de homem, o que lhe confere uma aparência estranha e que só serve para exaltar as suas diferenças com os demais jovens da sua idade, tais como o facto de ser roliça e de ter o cabelo ruivo e rebelde. Tudo isto contribui para chamar a atenção de forma negativa, tornando-a vítima de bullying.

Park é o oposto de Eleanor. Embora seja semi coreano, e não seja propriamente popular, é respeitado e tenta sempre passar despercebido e tornar-se invisível. Tem uma boa família, estruturada, com um bom ambiente emocional e financeiro. 

Esta oposição entre ambos é claramente demonstrada no seguinte excerto, proferido por Eleanor a Park:
"- Pára de perguntar isso - disse ela, zangada. Tu perguntas sempre isso. Porquê. Como se houvesse resposta para tudo. Nem toda a gente tem a tua vida, sabes, nem a tua família. Na tua vida, as coisas acontecem por uma razão. As pessoas fazem sentido. Mas a minha vida não é assim. Ninguém na minha vida faz sentido..." 
O acaso decide juntá-los, tendo tudo começado no autocarro escolar onde, contrariado, Park deixa Eleanor sentar-se a seu lado. A pouco e pouco nasce uma forte amizade entre ambos, onde Park partilha com Eleanor os seus livros de BD e as suas músicas, o que transforma gradualmente a amizade em amor.

E todo este processo é de uma fofura extrema, é terno, é querido, encantador... Simplesmente prende-nos e queremos mais e mais. E é também cómico. Dei por mim inúmeras vezes a rir-me com certas passagens do livro, como por exemplo esta em que Eleanor está a falar de Tina a Park, a rapariga popular da escola e que lhe faz a vida complicada:
"- Estás a gozar? A Tina é um monstro. Ela é o que resultaria se o diabo se casasse com a bruxa má e panassem o bebé numa tigela de maldade ralada."
No entanto, apesar disto, é um livro que também nos alerta para temáticas menos encantadoras, tais como a violência doméstica, o bullying e a negligência parental. 

Quanto ao final, o famoso final, já desconfiava dele devido ao início do livro, e foi algo que mexeu verdadeiramente comigo. Passei por várias fases desde a negação - isto tem de continuar, de certeza que o meu livro está incompleto, passando pela revolta - afinal acabou... mas não pode acabar assim, nãaaaaoooo, pela irritação - não acredito que ela fez isto, como? como?, até à aceitação - afinal acabou mesmo, snif snif, que deu origem à esperança - se calhar vai haver uma continuação... TEM DE continuar. 

E com este livro senti-me exactamente como a Hazel Grace, do livro A culpa é das Estrelas, se sentiu ao terminar de ler Uma Aflição Imperial, tal como escrevi na opinião anterior, aquele sentimento de falta algo aqui, quero saber mais.

E foi todo este misto de sentimentos que não me permitiu escrever logo uma opinião. Tive que acalmar primeiro para poder escrever de cabeça fria.

E sim, este é um livro que vale as 5 estrelas (4,5 só mesmo por causa do final).

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terça-feira, 14 de abril de 2015

Opinião -> A Culpa é das Estrelas


Título Original: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Editora: Edições ASA
Sinopse: Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita. PERSPICAZ, ARROJADO, IRREVERENTE E CRU, A Culpa é das Estrelas é a obra mais ambiciosa e comovente que o premiado autor John Green nos apresentou até hoje, explorando de maneira brilhante a aventura divertida, empolgante e trágica que é estar-se vivo e apaixonado.

A minha opinião

Este livro foi lido no mês passado, mas como ando sem inspiração para escrever opiniões realmente o plágio é bem mais fácil estas têm andado paradas.

Foi daqueles casos em que vi o filme primeiro (vi em Novembro de 2014) e gostei tanto que pensei 'eu tenho mesmo que ler isto!', afinal, se gostei tanto do filme, tenho tudo para adorar o livro. Em Março surgiu a oportunidade de o ler e assim fiz.

Posso começar por dizer que, para mim, o melhor do livro é a escrita de John Green. Fiquei simplesmente maravilhada e com vontade de ler mais livros deste autor. Embora esta seja uma história que trata um tema muito sensível - o cancro - o autor fá-lo de forma nua e crua, sem espaço para "lamechices" nem sentimentos de pena ou de "coitadismos". As páginas são repletas de humor, um humor perspicaz e a roçar o negro gosto, que nos faz soltar imensas gargalhadas.

Adoro a construção das personagens, a sua personalidade, força, aceitação da realidade, afastando toda e qualquer vitimização, tentando fazer a vida de forma tão normal quanto o facto de o cancro estar presente permite. 
Este livro é uma grande lição sobre a vida e a morte, fazendo-nos reflectir. 
Para quem pensa que é uma história triste de jovens com cancro que se apaixonam - coitadinhos - não podia estar mais enganado. Muito longe disso!
Hazel Grace é uma jovem de 16 anos, com um humor ácido e muita ironia à mistura, é paciente terminal de cancro há 3, e cujos pulmões estão a falhar - ela diz mesmo que os pulmões dela falham a ser pulmões - e por isso tem que estar sempre com um tanque de oxigénio atrás e dormir com um BIPAP, e que, embora o tratamento esteja a fazer efeito, sabe que a qualquer momento pode morrer, autodenominando-se como sendo uma granada. Apesar de já ter aceite o seu destino, o que mais lhe custa é fazer sofrer as pessoas de quem gosta e que gostam dela, tal como os pais, daí a sua relutância em conhecer pessoas novas. No entanto, é uma adolescente tão normal quanto as suas limitações lhe permitem. Gosta de ler, o seu livro preferido é Uma Aflição Imperial de Peter Van Houten e passa os serões a ver America Next Top Model.
Augustus Waters (Gus) é um rapaz carismático de 17 anos, inteligente e muito metafórico, ex-jogador de basquete e que tem uma perna amputada devido a uma dura luta contra osteossarcoma, que adora videojogos e cujo grande medo é o de ser esquecido. 
Conhecem-se no grupo de apoio que Hazel frequenta forçada pela mãe, e onde Gus apenas vai a pedido do seu grande amigo Isaac (o qual fica cego devido ao cancro). A partir desse momento cresce uma forte amizade entre eles, principalmente devido ao livro preferido de Hazel, o qual tem 651 páginas e acaba a meio de uma frase, deixando-os com um sentimento de falta algo aqui, quero saber mais. E nisto fazem os possíveis por contactar o autor, que vive em Amesterdão, em busca de respostas - o qual se revela uma desilusão.

Entretanto, a partir da viagem a Amesterdão, o livro dá uma inesperada reviravolta, começando a parte da lágrima no canto do olho que se prolonga até à torneira aberta que não quer mais parar.

Confesso que chorei muito mais com o filme do que com o livro, talvez pelo facto de já saber tudo o que ia acontecer. Mas aquela carta no final acaba sempre comigo.

O filme é muito mas muito fiel ao livro, o que é raro acontecer. Quando estava a ler imaginava-os tal como no filme, foi muito bem conseguido. Apesar disso acho que é daqueles livros que merecem ser lidos e relidos.

Este leva 5 estrelas.
*****

terça-feira, 3 de março de 2015

Opinião -> Duas Irmãs, Um Duque

Título Original: The Duke Is Mine
Autor: Eloisa James
Editora: Quinta Essência
Série:  Fairy Tales #3
Sinopse: Ele procura a noiva perfeita…

Ele é um duque em busca da noiva perfeita.
Ela é uma senhora… mas está longe de ser perfeita.
Tarquin, o poderoso duque de Sconce, sabe perfeitamente que a decorosa e elegantemente esguia Georgiana Lytton dará uma duquesa adequada. Então, porque não consegue parar de pensar na sua irmã gémea, a curvilínea, obstinada e nada convencional Olivia? Não só Olivia está prometida em casamento a outro homem, como o flirt impróprio, embora inebriante, entre ambos torna a inadequação dela ainda mais clara.
Decidido a encontrar a noiva perfeita, ele afasta metodicamente Olivia dos seus pensamentos, permitindo que a lógica e o dever triunfem sobre a paixão... Até que, na sua hora mais sombria, Quin começa a questionar-se se a perfeição tem alguma coisa a ver com amor.
Para ganhar a mão de Olivia ele teria de desistir de todas as suas crenças e entregar o coração, corpo e alma...
A menos que já seja demasiado tarde.

A curvilínea e ousada Olivia e a esguia e discreta Georgiana são gémeas, criadas pelos pais para serem noivas de duques. Tudo parece assegurado até que o futuro marido de Olivia, o tolo Rupert Blakemore, marquês de Montsurrey, faz dezoito anos e declara que «não irá casar até ter alcançado glória militar». Enquanto ele parte para a guerra contra Napoleão, Olivia vai com Georgiana conhecer Tarquin Brook-Chatfield, o viúvo duque de Sconce e possível pretendente de Georgiana. Mas Tarquin encanta-se imediatamente com Olivia, que tem de decidir se irá ou não arriscar desiludir Georgiana e Rupert retribuindo o afeto de Quin. Uma versão inteligente do clássico A Princesa e a Ervilha.


A minha opinião:
 
Este foi o segundo livro que li de Eloisa James e da série Fairy Tales.

Esta foi uma leitura que me deixou um pouco desiludida, estava à espera de mais pois, através da minha leiura anterior, tinha percebido que esta escritora tem a capacidade de nos prender à história de tal maneira que não queremos largar o livro enquanto este não acabar. No entanto, para mim, este livro é de extremos, ora tem capítulos muito bons, ora descamba de uma maneira avassaladora. A autora refere na dedicatória que teve que deitar fora 175 páginas da sua versão de A Princesa e a Ervilha e recomeçar...

Em minha opinião , tal como na vida há um momento certo para tudo, este não era o momento certo para Eloisa James fazer uma versão desta história e, em vez de reformular todo o romance num acto de desespero com uma amiga enquanto bebiam dois copos de vinho, julgo que deveria ter esperado pelo momento certo em que realmente surgisse um momento de inspiração. 

Os primeiros capítulos começam devagar e um tanto ou quanto confusos. Não me prenderam de todo! Mas, na esperança de melhorar continuei a ler. E fiz bem porque aquecem de tal maneira que não conseguia parar de ler. As personagens são bem construídas, como a autora tão bem sabe fazer. Olivia é uma protagonista com um feitio forte e muito vincado, com um sentido de humor fantástico e muito pouco próprio para uma senhora da época (dei umas boas gargalhadas com ela) e fisicamente é mais cheiinha do que é esperado na época, sendo o oposto da sua irmã gémea, Georgiana, que é considerada a esposa ideal para um Duque. Rupert, o marquês de Montsurrey que está prometido desde o nascimento a Olivia é uma criança grande (resultado da falta de oxigénio no cérebro quando nasceu), com um coração enorme e um desejo ainda maior de ir para a guerra (Inglaterra-França); Tarquin é um Duque viúvo, que supostamente não se deixa guiar pelos sentimentos e não tem capacidade de rir, e que  necessita de um segundo casamento de modo a ter herdeiros, cuja noiva será escolhida,  como se de um um negócio se tratasse, pela sua mãe. Georgiana é a esposa ideal para Quin e fica imediatamente encantada por ele pois, além de ser Duque e de ter boa aparência física, é bastante inteligente. No entanto Quin apaixona-se à primeira vista por Olívia a qual retribui essa paixão. E levam-na avante, independentemente de Olivia estar com noivado marcado com outro homem e de Georgiana, supostamente, amar Quin. 

A forma como Eloisa James dá a volta a toda esta situação de modo a que os dois possam ficar juntos sem problemas e sem conflitos é... nem sei, terrível.

Spoiler!!!

Tira Rupert do baralho, não sem antes o coroar com uma vitória nunca antes conseguida, tornando-se num herói, matando-o de seguida uma forma ridícula, que não lembra a ninguém (cai do telhado enquanto recita poesia... seriously?). A irmã também é descartada, deixando de ser o exemplar da duquesificação demonstrado ao longo de quase todo o livro, visto que afinal o seu sonho é ir para a universidade. Pronto, problema resolvido e assim o casal já pode ser feliz para sempre.

Fim de Spoiler!

Os capítulos finais, passados em território francês, são muito maus, forçados e feitos apenas para fazer de Quin, também ele, um herói e para tirar cartas do baralho.

Ao longo de todo o livro fui oscilando entre as 2 e as 5 estrelas. Apesar das partes más, existiram outras bastante agradáveis e que me fizeram rir. Desta forma julgo que 3 estrelas é uma cotação justa.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Opinião -> A Filha da Profecia

Título Original: Child of the Prophecy
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora

Sinopse: Fainne foi criada numa enseada isolada na costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre as artes mágicas. Esta existência pacífica será ameaçada em breve, e a vida de Fainne jamais será a mesma, quando a avó, a temida feiticeira Lady Oonagh, se impõe na sua vida. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira conta a Fainne que tem um legado terrível: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros e foras-da-lei, incutindo nela um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, a execução de uma tarefa que deixa a jovem aterrorizada. Enviada para Sevenwaters, com objectivo de destruí-la, vai usar todos os seus poderes mágicos, para impedir o cumprimento de uma profecia.

A minha opinião: 

Mais uma releitura e mais um livro excelente, que conclui esta trilogia maravilhosa, dando as respostas às questões que se encontravam em aberto após "O Filho das Sombras".

Este livro é narrado por Fainne, filha de Niamh e de Ciarán, que cresceu isolada com o seu pai em Kerry, afastada de Sevenwaters,tendo como único amigo Darragh, um nómada, com quem convive apenas no verão. Fainne teve uma educação rigorosa e direccionada para o domínio da Arte.

Quando Lady Oonagh, a sua avó, reaparece na sua vida, manda-a para Sevenwaters, entregando-lhe um fardo pesado e enorme de mais para a sua idade, o qual só consegue suportar graças ao ensinamento exigente do seu pai. Vive um dilema constante ao longo do livro, tendo de tomar difíceis decisões, que lhe foram incutidas como sendo certas, mas que no seu coração sente não passarem de erros. E é este o caminho que percorre ao longo da narrativa, repleto de boas e más escolhas e de erros que a fazem crescer e ficar cada vez mais forte.

Foi bom reencontrar personagens que me foram tão queridas no livro anterior, especialmente Finbar que aqui assumiu maior destaque, e foi especialmente interessante "ver" estas personagens pelos olhos de Fainne, que é impelida pela avó a odiá-los antes mesmo de os conhecer.

É um livro que começa com um ritmo bastante lento, mas que mais tarde percebemos ser necessário, e, à semelhança dos anteriores, à medida que os capítulos finais de se aproximam é impossível largar.

Esperava mais da luta final, assim como um final diferente para a protagonista. Gostei especialmente de Darragh, um personagem tão diferente dos anteriores, e esperava que a sua relação com Fainne tivesse sido mais desenvolvida. Não gostei muito do destino dado a Fainne, acho que merecia mais, depois de tudo por que passou, embora compreenda o porquê do final escolhido e faça todo o sentido.

Apesar de tudo, foi um excelente encerrar desta trilogia, onde uma vez mais Juliet Marillier nos consegue prender com a sua escrita, fazendo-nos rir e sofrer com os personagens.Como não podia deixar de ser, é um livro 5 estrelas. 
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Opinião -> O Filho das Sombras

Título Original: Son of the Shadows
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora

Sinopse: As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, a filha de Sorcha, que herdou os talentos da mãe para curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisam-na de que, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões, Liadan deverá permanecer em Sevenwaters.
A Irlanda está agora em guerra, e as suas costas são assoladas por atacantes. Entre os inimigos há um que se destaca: o Homem Pintado, que granjeou uma reputação terrível de mercenário feroz e astuto, e que espalha o terror por onde quer que passe.
Ao regressar a casa, Liadan é capturada pelo Homem Pintado. Porém, este acaba por se revelar bem diferente da lenda, e apesar da antiga profecia que a obrigava a permanecer em Sevenwaters, a jovem sente-se atraída por ele. Mas poderá ela viver o seu amor sem que a maldição recaia sobre Sevenwaters?

A minha opinião

Este livro pertence a uma das minhas trilogias preferidas, a qual é escrita por uma das minhas autoras preferidas, por isso não consegui evitar relê-lo.

É um livro absolutamente maravilhoso e, para mim, o melhor da trilogia Sevenwaters.

Mais uma vez, Juliet Marillier conquista-nos com a sua escrita magnífica, levando-nos a rir e a chorar com os personagens, envolvendo-nos de tal forma que conseguimos sentir a sua alegria e a sua dor. Encontramo-nos, novamente, presentes de personagens fortes, corajosas e leais, como só Marillier sabe construir, sendo Liadan a personagem principal, filha de Sorcha e Red, tendo herdado dos pais as suas melhores características, tais como, a sua força de carácter e determinação.

Quando Liadan é raptada pelo bando do Homem Pintado, a sua vida dá uma enorme volta, e damos por nós a roer as unhas, ansiosos por saber como tudo se vai desenrolar, afinal, Bran (o nome que ela dá ao Homem Pintado,) não passa de um fora da lei, detestado por todos e, pior, que detesta a família de Liadan. Em paralelo temos a angustiante história da sua irmã Niamh com Ciarán, a qual é um amor impossível, que desafia todas as leis.

Como pode, então, o amor vingar? Eis algo que nos faz querer ler cada vez mais e mais, para saber o desfecho desta história fantástica. 

 
Mais uma vez Juliet Marillier não desilude. Tem uma escrita mágica que nos prende do princípio ao fim, sendo que os capítulos finais são mesmo quase impossíveis de largar. É mais um livro 5 estrelas, de uma autora 5 estrelas.

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sábado, 24 de janeiro de 2015

Opinião -> Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban


Título Original: Harry Potter and the Prisoner of Azkaban
Autor: J. K. Rowling
Editora: Editorial Presença


SinopseDaquela vez Harry Potter não conseguira conter-se. Quebrara uma das regras principais de Hogwarts - não exercer técnicas de feitiçaria fora dos muros da escola. Mas aquela detestável Tia Marge merecia permanecer umas boas horas suspensa no tecto da sala dos Dursleys, inchada como um balão. Além disso já faltavam poucos dias para recomeçar as aulas. Mas o seu terceiro ano não irá ser fácil. Da prisão de Azkaban fugira o feroz Sirus Black, um dos mais fiéis seguidores do assustador Lord Voldemort para o que Harry Potter continuava a ser o alvo favorito. O pior é que o herói de J. K. Rowling começa a suspeitar da existência de um traidor entre os seus próprios amigos... O regresso da personagem fantástica que está a conquistar leitores em todo o mundo numa aventura que te enfeitiçará até à última página.


A minha opinião:

Reli este livro no seguimento deste desafio literário a que me propus. 

Em Dezembro deu-me uma vontade tão forte de ver os filmes e como as saudades eram mais do que muitas, depois de os ver decidi pegar nos livros para relembrar certos pormenores que são modificados e esquecidos no filme. Li os dois primeiros (Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara dos segredos) no mês passado e este mês reli o terceiro.
E o que é que posso dizer deste maravilhoso livro? 

Quinze anos depois de o ter lido pela primeira vez, continua a ser o meu preferido de toda a saga (muito próximo do Harry Potter e a Ordem de Fénix).

Basta uma palavra para descrever o que sinto: Sirius! *_* 
E surge aqui também o Lupin, que é uma personagem maravilhosa, de quem gosto tanto.
 
Só depois de ter relido este livro, é que me apercebi das inúmeras diferenças entre o livro e o filme. Ok, existem sempre diferenças, mas aqui s
ão diferenças tão acentuadas, que o filme não faz de todo jus ao livro. 

Como por exemplo, a hilariante conversa telefónica entre Ron e Harry durante as férias de verão, que não aparece de todo no filme; a viagem de Harry no Night Bus que é em muito diferente; o papel desempenhado por Crookshanks (gato da Hermione, que só é comprado por ela neste livro), em que Crookshanks é quase o braço direito do Sirius; o próprio Sirius, que quase não se destaca no filme; a história por detrás do Marauders Map que só é contada no livro, e que para mim é tão importante...  Fora inúmeros outros pormenores (como a oferta da Firebolt ao Harry).

Enfim, quem me dera que o filme fosse tão completo como o livro, porque teria muito mais qualidade. 

Por todos estes motivos, e muitos mais que este meu entusiasmo não deixa expressar, este é um livro de leitura OBRIGATÓRIA!

Foi bom relê-lo e matar saudades, venha o próximo!

Como não podia deixar de ser, este leva 5 estrelas! 

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Opinião -> A Minha Segunda Vida - Christiane F.


Título Original: Christiane F. - Mein zweites Leben
Autor: Christiane F.
Editora: Bizâncio

Sinopse: A vida de Christiane F. deu a volta ao mundo. Milhões de jovens cresceram com as confissões trágicas desta adolescente alemã, de 13 anos, drogada, prostituta. E depois? Qual foi o seu destino? Sem subterfúgios, tendo como pano de fundo o mundo da droga e as relações que se estabelecem, aquela que o mundo conhece como Christiane F. conta tudo neste livro, com uma franqueza surpreendente.


A minha opinião:

O livro "Os filhos da Droga" foi um dos meus livros preferidos na adolescência, por isso quando a minha irmã me falou que tinha comprado este livro, mal pude esperar que ela acabasse de o ler para mo emprestar. Queria saber o que tinha acontecido àquela rapariguinha, com um passado tão conturbador.

Quando o comecei a ler as expectativas estavam muito elevadas e, talvez por isso, a desilusão tenha sido tão grande.

Este livro está escrito de uma forma confusa, com uma escrita apressada, sem uma sequência cronológica certa e, às tantas, dava por mim perdida, sem saber ao certo a que altura é que a autora se estava a referir, pois, por exemplo, tanto descreve o seu presente, como de seguida se refere ao filho adolescente, para logo a seguir falar de quando o filho tinha 6 anos...

É um livro que retrata uma vida sofrida, sobretudo após o nascimento do filho de Christiane, e que continua o relato do mundo da droga, álcool e prostituição, e as consequências que dele advêm, mas que ao mesmo tempo tem muitos relatos pouco interessantes pelo meio. Até as fotografias que nele constam podiam ter sido melhores.

Ao contrário do livro anterior, aqui não consegui simpatizar com a autora, afinal, já não é uma menina inocente, abandonada pelos pais, que vive na RDA. É uma adulta, que continua a fazer disparates, sabendo todas as suas consequências, e que pouco faz para mudar.

Foi um livro que demorei imenso a ler e que só terminei por teimosia.

Apesar de tudo, e devido aos alertas nele presentes, acho que merece duas estrelas. 

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sábado, 10 de janeiro de 2015

Opinião -> O Beijo Encantado - Eloisa James

Título Original: A kiss at midnight
Autor: Eloisa James
Editora: Quinta Essência
Série:  Fairy Tales #1

Sinopse: Forçada pela madrasta a ir a um baile, Kate conhece um príncipe… E decide que ele é tudo menos encantado. Segue-se um esgrimir de vontades, mas ambos sabem que a atracão irresistível que sentem um pelo outro não os levará a lado nenhum. Gabriel está prometido a outra mulher - uma princesa que o ajudará a alcançar as suas ambições implacáveis.
Gabriel gosta da noiva, o que é uma surpresa agradável, mas não a ama. Obviamente, deve cortejar a sua futura princesa, e não a beldade espirituosa e pobre que se recusa a mostrar-se embevecida.
Apesar das madrinhas e dos sapatinhos de cristal, este é um conto de fadas em que o destino conspira para destruir qualquer oportunidade de Kate e Gabriel poderem ser felizes para sempre.
A menos que um príncipe abdique de tudo o que o torna nobre…
A menos que o dote de um coração indisciplinado triunfe sobre uma fortuna…
A menos que um beijo encantado ao bater da meia-noite mude tudo.

A minha opinião:

O que me fez começar a ler este livro foi a capa, uma vez que para o desafio literário do mês de Janeiro deveria escolher um livro que adorasse a capa.

No início esta tarefa assemelhou-se difícil, visto que só me ocorriam capas maravilhosas mas de livros que já tinha lido, quando entretanto me deparo com este. A capa prendeu-me de imediato a atenção, motivo pelo qual felicito a Editora. Linda, ternurenta, com cores Outonais que me transmitem calma e tranquilidade, mas, acima de tudo, por me parecer uma capa digna de um conto de fadas! Mal sabia eu, na altura, que era precisamente nesse mundo que eu me iria embrenhar quando o começasse a ler.

Este foi o meu primeiro contacto com a autora, e fui um pouco a medo por não ser o meu género literário de eleição, mas confesso que fiquei completamente rendida. É daquelas histórias simples, que se lêem de rajada, com um sentido de humor q.b. que tanto me agradou, sem grande complexidade e que nos aquece o coração.

No fundo, é um verdadeiro conto de fadas, em que existe a gata borralheira, o sapato de cristal, o castelo, a madrasta má, a meia-irmã boa, a madrinha sempre disposta para a farra e com um humor fenomenal, o príncipe lindo, esbelto, convencido e arrogante, o conselheiro do príncipe que é ao mesmo tempo seu meio-irmão e um amor de personagem (um dos meus preferidos), o cunhado que é um "atado", entre um rol de outras personagens secundárias igualmente interessantes e cativantes.

É um livro que se começa devagar, deixando um pouco a desejar, mas que com o desfolhar das páginas e o desenrolar da história, vamos querendo sempre mais e mais.

Foi interessante a forma como Eloisa James se afastou da tradicional e tão badalada Cinderela e conseguiu este livro igualmente caloroso.

Recomendo vivamente este livro para quem queira uma leitura leve e com um humor fantástico, o qual é, a meu ver,  o ponto forte da autora e que me fez ficar fã. 

Por tudo isto, acho que merece 4 estrelas.
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